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Como escolher as Alianças de Casamento: Ouro Amarelo, Branco ou Rosa, largura e conforto
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Como escolher as Alianças de Casamento: Ouro Amarelo, Branco ou Rosa, largura e conforto
Escolher as alianças de casamento é, para muitos casais, uma das decisões mais emotivas de todo o processo de preparação. Não é uma joia como as outras: vai estar no dedo todos os dias, vai acompanhar mãos que trabalham, cozinham, escrevem, abraçam e, com sorte, vai durar uma vida inteira. Por isso mesmo, convém escolher com calma e com informação.A boa notícia é que não é preciso ser especialista em joalharia para acertar. Basta perceber alguns pontos essenciais: a cor do ouro, o título (os quilates), a largura e o perfil da aliança, o tamanho certo, a harmonia com o anel de noivado e os detalhes de personalização. Neste guia percorremos cada um deles, de forma simples e prática, para que chegue à loja já a saber o que procura.1. Ouro Amarelo, Branco ou Rosa: qual escolher?A primeira escolha, e muitas vezes a mais visual, é a cor do metal. As três cores mais procuradas são o ouro amarelo, o ouro branco e o ouro rosa. Todas são ouro, mas a liga com que são feitas dá-lhes tons, comportamentos e estilos diferentes.Ouro amarelo: o clássico que nunca falhaÉ a cor mais tradicional e a que mais associamos à ideia de aliança. O ouro amarelo tem um brilho quente e intemporal, e combina muito bem com a maioria dos tons de pele, em especial com peles de subtom quente. É também uma escolha segura para quem gosta de peças que nunca saem de moda: uma aliança em ouro amarelo parece tão elegante hoje como há cinquenta anos.Outra vantagem prática é que o ouro amarelo costuma disfarçar bem os pequenos riscos do dia a dia. Com o tempo, a aliança ganha uma ligeira patina de uso, que muitos casais até apreciam, porque conta a história do casamento. Se quiser que volte a ficar como nova, um simples polimento feito por um profissional resolve.Ouro branco: moderno, discreto e eleganteO ouro branco tem um aspeto prateado e luminoso, mais contemporâneo e minimalista. É muito usado em anéis de noivado com diamantes ou pedras claras, porque o tom frio realça o brilho das gemas. Costuma ficar particularmente bem em peles de subtom frio, mas, na prática, acaba por ser uma questão de gosto pessoal.Há um detalhe que vale a pena conhecer: muitas peças em ouro branco levam um banho de ródio que reforça o brilho e a cor branca. Com o uso, esse banho pode desgastar-se e deixar ver um tom ligeiramente mais quente por baixo. Não é um defeito, é algo normal e perfeitamente reversível, já que o banho pode ser renovado numa joalharia. Se tem a pele sensível ou alergias a determinados metais, pergunte sempre pela composição da liga antes de decidir.Ouro rosa: romântico e com personalidadeO ouro rosa deve o seu tom suave e acobreado à presença de cobre na liga. É uma cor romântica, que tem ganho muitos adeptos nos últimos anos, sobretudo entre casais que procuram algo um pouco diferente do tradicional sem perder a elegância. Fica bonito em quase todos os tons de pele e tem um aspeto muito agradável em alianças de linhas simples.Como o cobre é um metal resistente, as peças em ouro rosa tendem a ser bastante robustas. É uma boa opção para quem quer uma aliança com carácter e que, ao mesmo tempo, aguente bem o uso diário.E se cada um quiser uma cor diferente?Também pode acontecer: um dos membros do casal adora ouro amarelo e o outro prefere ouro branco. Não é um problema. Hoje em dia, misturar metais é uma tendência assumida, e há inclusive alianças bicolores que juntam duas cores na mesma peça. Se quer perceber melhor como combinar tons sem errar, pode ler o nosso artigo sobre como misturar metais, uma tendência que veio para ficar.2. Quilates e Contrastaria: o que significam e porque importamDepois da cor, vem o título do ouro, ou seja, a quantidade de ouro puro presente na liga. É aqui que aparecem os quilates, e é um dos pontos que mais dúvidas levanta.O ouro puro corresponde a 24 quilates, mas é demasiado macio para uma peça usada todos os dias. Por isso, a joalharia mistura-o com outros metais, o que o torna mais resistente. Os títulos mais comuns em joalharia são: 19,2 quilates (800 milésimas): é o ouro tradicional português, com um tom rico e uma boa quantidade de ouro na liga; 18 quilates (750 milésimas): muito usado na joalharia internacional, com um equilíbrio excelente entre pureza e resistência; 14 quilates (585 milésimas): mais resistente a riscos e, em regra, mais acessível; 9 quilates (375 milésimas): a opção mais económica, com menor percentagem de ouro. Qual é a melhor? Não há uma resposta única. Quanto mais alto o título, maior a percentagem de ouro e, por norma, mais intenso o tom e mais elevado o preço. Quanto mais baixo, mais resistente a peça tende a ser ao desgaste. Para uma aliança que vai ser usada todos os dias durante décadas, o ideal é encontrar o equilíbrio entre orçamento, durabilidade e a sensação de ter uma joia verdadeiramente valiosa.A importância da marca de contrastariaEm Portugal, as peças em metais preciosos devem ter as marcas de contrastaria, que certificam o título do metal. Estas pequenas punções, quase invisíveis a olho nu, são a garantia oficial de que o ouro é o que diz ser. Ao comprar as suas alianças, confirme sempre que a peça está devidamente marcada e peça fatura com a descrição do artigo. É uma questão de segurança e de tranquilidade, e também ajuda a preservar o valor da joia ao longo dos anos. Pode saber mais sobre este tema na nossa secção do blogue dedicada à contrastaria.3. Largura e Perfil: o segredo do confortoMuita gente escolhe a aliança pelo aspeto numa vitrine e só depois descobre que, no dedo, a sensação é completamente diferente. A largura e o perfil são os dois fatores que mais pesam no conforto diário, por isso merecem atenção.Que largura escolher?As alianças mais comuns situam-se, normalmente, entre os 2 e os 6 milímetros de largura, embora existam modelos mais finos e mais largos. Como regra geral: Alianças finas (2 a 3 mm): delicadas e discretas, ideais para mãos mais pequenas ou para quem prefere um visual leve e minimalista. Funcionam muito bem se vão ser usadas junto com o anel de noivado; Alianças médias (4 mm): o ponto de equilíbrio mais popular, com presença sem pesar; Alianças largas (5 mm ou mais): mais marcantes e masculinas na imagem tradicional, mas cada vez mais escolhidas por todos. Requerem alguma habituação. Uma dica útil: experimente larguras diferentes na loja e deixe-as no dedo durante alguns minutos. A sensação inicial pode enganar, e é só com algum tempo que percebe se a aliança incomoda ou se passa quase despercebida.Perfil plano, abaulado ou conforto interiorO perfil é o formato da secção da aliança, isto é, a forma como a vê de lado. Os mais habituais são: Plano: linhas direitas e modernas, com um aspeto mais contemporâneo; Abaulado (ou arredondado): a forma clássica, com a superfície ligeiramente curva, suave ao toque e muito elegante; Com interior de conforto: o interior da aliança é ligeiramente arredondado, o que facilita colocá-la e tirá-la e torna o uso diário mais agradável, sobretudo em alianças mais largas. Também pode escolher o acabamento: polido (brilhante), mate ou acetinado, ou ainda com texturas e detalhes. O acabamento polido mostra mais os pequenos riscos, enquanto o mate tende a disfarçá-los, mas qualquer acabamento pode ser renovado.4. Como acertar no tamanhoNão há nada mais frustrante do que uma aliança que roda no dedo ou que custa a passar na articulação. Acertar no tamanho é fundamental, e há alguns cuidados que ajudam muito.Em primeiro lugar, saiba que o tamanho do dedo não é sempre igual. Varia ao longo do dia e com as condições: com calor, depois de fazer exercício, ao fim do dia ou depois de uma refeição mais salgada, os dedos tendem a ficar um pouco mais inchados; com frio, ficam mais finos. Por isso, a melhor altura para medir é ao fim da tarde, com a temperatura normal do corpo, e nunca logo depois de estar no frio ou a fazer esforço.Em segundo lugar, a largura da aliança influencia o tamanho ideal. Uma aliança mais larga costuma exigir um pouco mais de folga do que uma fina, porque cobre uma área maior do dedo. Muitos joalheiros aconselham, por isso, a considerar um tamanho ligeiramente acima quando se escolhe um modelo largo. Peça sempre uma recomendação ao profissional que o atende.Se não tiver a certeza, a forma mais fiável é medir o dedo na loja com um medidor de anéis profissional. Em casa, pode medir o perímetro do dedo com uma fita métrica ou um fio e comparar com a tabela de tamanhos, mas considere sempre esse valor como orientativo. O ideal é que a aliança passe na articulação com um pequeno esforço e fique bem ajustada, sem apertar nem rodar livremente.E se o tamanho falhar? Em muitas alianças de ouro é possível fazer pequenos ajustes de tamanho, mas isso depende do modelo, da largura e de eventuais gravações ou pedras. Por isso, é sempre melhor acertar logo à partida e confirmar as condições de troca ou ajuste no momento da compra.5. Alianças e Anel de Noivado: combinar ou contrastar?Se vai usar um anel de noivado, vale a pena pensar em como as duas peças vão conviver no mesmo dedo. Há duas abordagens possíveis, e nenhuma está errada.Harmonia totalEscolher alianças da mesma cor de ouro e com um estilo semelhante ao do anel de noivado cria um conjunto coerente e equilibrado. Se o anel de noivado é fino e delicado, uma aliança igualmente fina vai ficar muito bem ao lado. Se o anel tem um desenho mais trabalhado, uma aliança simples e lisa pode servir de contraponto elegante.Contraste com intençãoTambém é possível optar por cores ou larguras diferentes, desde que o resultado pareça intencional. Por exemplo, um anel de noivado em ouro branco com uma aliança em ouro amarelo pode ficar surpreendente e com muita personalidade. O importante é experimentar as duas peças juntas, no mesmo dedo, antes de decidir.Um ponto prático: se o anel de noivado tem uma pedra com alguma altura, certifique-se de que a aliança assenta bem ao lado dele e não fica desalinhada. Alguns anéis de noivado foram desenhados a pensar numa aliança específica, e outros funcionam bem com qualquer uma. Descubra mais opções na nossa seleção de anéis de noivado e nas nossas alianças.6. Gravação e Personalização: o toque que torna a aliança únicaUma das formas mais bonitas de tornar uma aliança verdadeiramente vossa é a gravação interior. É uma tradição antiga e, hoje, há muitas formas de a personalizar: a data do casamento ou do início da relação; os nomes ou as iniciais do casal; uma palavra, uma frase curta ou uma coordenada com significado especial; uma impressão digital ou uma assinatura, quando a técnica o permite. Um conselho: quanto mais curto o texto, mais legível e elegante fica a gravação, sobretudo em alianças mais finas, onde o espaço é limitado. Se está a pensar em algo mais especial, como um desenho próprio ou um modelo único, conheça as nossas joias personalizáveis e fale com a nossa equipa sobre as possibilidades disponíveis e os respetivos prazos.7. Prazos: quando devo escolher as alianças?As alianças são, muitas vezes, das últimas coisas em que os casais pensam, e isso pode gerar stress desnecessário. Em modelos já disponíveis, a compra pode ser rápida, mas se quiser um tamanho especial, uma gravação ou uma peça feita por encomenda, é preciso contar com algum tempo de produção.Como orientação, o ideal é começar a ver alianças com três a quatro meses de antecedência em relação à data do casamento. Isso dá-lhe margem para comparar modelos com calma, experimentar, decidir em conjunto e, se for necessário, fazer ajustes de tamanho ou gravação sem pressas. Deixar tudo para as últimas semanas aumenta o risco de ter de aceitar uma escolha que não era a ideal só porque o tempo está a acabar.8. Uma ideia especial: aproveitar ouro de famíliaPara muitos casais, há uma forma particularmente emotiva de ter alianças com história: reaproveitar o ouro de peças antigas, como uma joia de família que já não se usa. Esse ouro pode ser transformado em novas alianças, mantendo viva a memória de quem o usou antes, ou ser avaliado e usado como parte do pagamento de peças novas.Se tem ouro usado em casa e quer perceber quanto vale, a LUSIJÓIA tem um serviço de avaliação com avaliador certificado. Pode saber mais sobre a compra de ouro usado e sobre como funciona o processo.9. Como cuidar das alianças ao longo dos anosUma boa aliança de ouro é feita para durar, mas, como qualquer joia usada todos os dias, beneficia de alguns cuidados simples: Limpeza regular: lave a aliança com água morna e um pouco de sabão neutro, com uma escova macia, e seque com um pano suave; Evite químicos agressivos: cloro, lixívia e alguns produtos de limpeza podem danificar as ligas. Retire a aliança para limpezas pesadas e para a piscina; Atenção ao ginásio e ao trabalho manual: peças pesadas e superfícies abrasivas podem riscar ou deformar a aliança; Guarde-a em separado: quando não a usar, guarde-a num estojo ou pano macio, longe de outras joias que a possam riscar; Revisão periódica: leve-a a rever de tempos a tempos. Um polimento ou, no caso do ouro branco, a renovação do banho de ródio devolve-lhe o aspeto original. 10. Os erros mais comuns (e como evitá-los)Para terminar, reunimos os deslizes mais frequentes na escolha de alianças, para que os consiga evitar: Escolher só pelo preço: uma aliança vai ser usada durante muitos anos. Compense a diferença em durabilidade, qualidade e conforto. Esquecer o dia a dia: se trabalha com as mãos ou pratica desporto, valorize resistência e conforto em vez de desenhos muito delicados. Medir o dedo no momento errado: evite medir com frio, calor extremo ou logo depois de exercício. Não verificar a contrastaria: confirme sempre as marcas legais e peça fatura detalhada. Deixar tudo para a última hora: comece com tempo, sobretudo se quer gravação ou personalização. Não experimentar as peças juntas: se vai usar anel de noivado, prove-o ao lado da aliança antes de decidir. Perguntas frequentesOuro amarelo, branco ou rosa: qual é mais resistente?A resistência depende mais do título do ouro e da liga do que da cor em si. Em geral, ligas com menor percentagem de ouro tendem a ser mais resistentes ao desgaste. O ouro rosa, por levar cobre, é conhecido por ser bastante robusto, mas qualquer uma das cores é adequada para uso diário.Qual é o melhor título para uma aliança de casamento?Não existe um único melhor. O ouro de 19,2 quilates é o tradicional português, o de 18 quilates é muito popular, e o de 14 quilates é uma opção mais resistente e acessível. Escolha o equilíbrio entre orçamento, tom e durabilidade que fizer mais sentido para si.As duas alianças têm de ser iguais?Não. Muitos casais escolhem modelos iguais pelo simbolismo, mas é igualmente comum optar por larguras, acabamentos ou até cores diferentes, conforme o gosto e o conforto de cada um.Posso gravar qualquer texto na aliança?Em geral, sim, desde que o texto caiba no espaço disponível. Quanto mais fina for a aliança, mais curto deve ser o texto. Consulte sempre a loja sobre as opções e os prazos de gravação.Como sei se o ouro é verdadeiro?Verifique se a peça tem as marcas de contrastaria e peça fatura com a descrição do artigo. Em caso de dúvida sobre peças que já possui, pode pedir uma avaliação a um profissional certificado.Em resumoAs alianças de casamento são uma escolha pessoal, e o melhor modelo é aquele que sente que é verdadeiramente vosso. Pense na cor do ouro que mais gosta, escolha um título que equilibre beleza e durabilidade, experimente larguras e perfis até encontrar o conforto ideal, acerte no tamanho com cuidado e dê-se tempo para decidir sem pressas. Depois, acrescente o toque que as torna únicas: uma data, uma palavra, uma história.Se quiser ajuda para escolher, visite a nossa coleção de alianças, descubra as opções de anéis de noivado ou fale connosco. Teremos todo o gosto em acompanhá-lo(a) neste momento tão especial.
Misturar Metais: a tendência que veio para ficar no outono/inverno 2026
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Misturar Metais: a tendência que veio para ficar no outono/inverno 2026
Durante décadas, a regra foi clara e raramente questionada: escolha o seu metal e mantenha-se fiel a ele. Ouro amarelo, ouro branco ou ouro rosa — mas nunca os três ao mesmo tempo. A joalharia tradicional tratava a mistura de tonalidades como um erro de estilo, uma falta de coerência que denunciava falta de gosto. Esse tempo acabou. No outono/inverno 2026, o mixed metal — a mistura deliberada de diferentes tons de ouro numa mesma composição — deixou de ser uma ousadia marginal para se tornar uma das tendências mais consistentes da estação. As passerelles confirmaram-no, as marcas de alta joalharia adaptaram-no e, mais importante ainda, o consumidor comum encontrou nele uma liberdade há muito desejada: a de usar aquilo que já tem, sem pedir licença às convenções. Para quem acompanha o mercado português de joalharia, esta é uma viragem particularmente relevante. Portugal tem uma tradição ourivesaria profundamente enraizada, mas também uma abertura crescente a linguagens contemporâneas. A tendência do mixed metal não exige peças novas: exige, acima de tudo, uma nova forma de olhar para as que já existem na nossa caixa de joias. O fim da regra que já ninguém respeitava A verdade é que a regra de "um metal por look" já estava a ser minada há várias temporadas. Anéis sobrepostos, colares em camadas, brincos desemparelhados — tudo isto foi preparando o terreno para que a mistura de tons deixasse de parecer acidental e passasse a ser intencional. O que mudou agora foi o salto qualitativo: já não se trata apenas de combinar peças separadas de tons diferentes, mas de encontrar joias que já nascem com essa mistura incorporada no próprio design. A coleção My Dior, desenhada por Victoire de Castellane, é talvez o exemplo mais citado desta nova abordagem. O motivo cannage da maison transforma-se numa malha de ouro onde os três tons coexistem, por vezes na mesma peça, por vezes em versões que se podem sobrepor e recombinar . A mensagem é clara: a joalharia deixou de exigir coerência cromática absoluta e passou a valorizar a composição pessoal, assimétrica, quase espontânea. Nas ruas das semanas de moda — de Copenhaga a Londres — a tendência tornou-se visível não apenas nas passerelles, mas nos próprios looks de quem assistia aos desfiles. Braceletes largas em prata ao lado de anéis em ouro amarelo, colares de ouro rosa combinados com peças de ouro branco: o que antes seria considerado uma incongruência passou a ser lido como uma afirmação de estilo pessoal . A máxima "menos regras, mais liberdade" aplica-se aqui com precisão. Porque é que esta tendência faz sentido agora Há uma razão prática que explica a popularidade do mixed metal, e ela é particularmente relevante para o consumidor português: a maioria das pessoas não tem uma coleção de joias construída de forma rigorosamente monocromática. Herdamos peças de família em ouro amarelo, compramos alianças em ouro branco, recebemos brincos em ouro rosa. Durante anos, estas peças viveram em compartimentos separados, como se pertencessem a mundos incompatíveis. A tendência do outono/inverno 2026 vem precisamente legitimar o contrário: que essas peças podem — e devem — ser usadas em conjunto. O resultado não é uma salada visual, mas uma composição com profundidade. A temperatura do ouro amarelo, o brilho frio do ouro branco e a suavidade do ouro rosa criam camadas de contraste que a uniformidade nunca consegue reproduzir. Além disso, há um fator económico inegável. Numa altura em que o preço do ouro atinge valores elevados, a possibilidade de renovar o visual sem comprar peças novas é um argumento poderoso. O mixed metal não pede um investimento: pede uma rearrumação. Pede que se abra a caixa de joias e se experimente combinações que antes pareciam proibidas. O aço inoxidável entra no jogo Se o ouro é o protagonista natural desta tendência, há um material que merece um lugar próprio nesta conversa: o aço inoxidável. Durante muito tempo visto como uma opção "menor" ou meramente funcional, o aço inoxidável conquistou nos últimos anos um estatuto que já ninguém lhe pode negar — e no contexto do mixed metal, torna-se um aliado particularmente versátil. A primeira razão é estética. O aço inoxidável tem uma tonalidade fria, cinzenta e uniforme, que funciona como um contraponto neutro aos tons quentes do ouro. Combinar uma pulseira de aço com um anel de ouro amarelo, ou um colar de aço com camadas de ouro rosa, cria um contraste que não é nem prateado nem dourado — é uma terceira via, mais contemporânea e menos previsível. Para quem quer experimentar a mistura de metais sem investir numa peça de ouro branco, o aço é uma porta de entrada acessível e visualmente coerente. A segunda razão é prática. O aço inoxidável é durável, resistente à corrosão e adequado ao uso diário — qualidades que o tornam especialmente atrativo para peças que se usam em camadas, sujeitas a atrito e desgaste. Ao contrário do ouro, que exige alguns cuidados, o aço tolera bem o ritmo da vida moderna. Numa composição de mixed metal pensada para o dia a dia, esta resistência é uma mais-valia real. A terceira razão é económica e ética. O aço inoxidável é significativamente mais acessível do que o ouro, o que permite construir composições mais arrojadas sem um investimento proporcional. E, do ponto de vista da sustentabilidade, é um material reciclável e amplamente disponível, alinhado com a lógica de economia circular que valorizamos. Para quem quer renovar o visual sem comprar ouro novo, o aço oferece uma alternativa legítima — não como substituto do ouro, mas como complemento. Há, naturalmente, um cuidado a ter. O aço inoxidável e o ouro têm pesos visuais diferentes: o aço tende a parecer mais "leve" e mais frio, enquanto o ouro, mesmo o branco, tem uma densidade visual maior. Numa composição, isto significa que o aço funciona melhor em peças de maior escala ou em posições secundárias, deixando o ouro assumir o papel de âncora. Uma bracelete larga de aço ao lado de um anel delicado de ouro amarelo, por exemplo, equilibra-se melhor do que o inverso. Vale a pena notar que esta convivência entre ouro e aço não é uma novidade absoluta. A joalharia contemporânea — sobretudo a de inspiração industrial e minimalista — já explora esta combinação há vários anos, e o outono/inverno 2026 veio apenas consolidá-la. O que mudou foi a legitimidade: já não é preciso justificar porque se usa aço ao lado de ouro. É uma escolha, e uma escolha cada vez mais comum. Como começar: três abordagens práticas Para quem nunca experimentou misturar tons de ouro, a tentação inicial é fazer demasiado. A abordagem mais segura é precisamente a mais simples: começar com uma peça que já combine tons diferentes. Um anel com duas voltas, uma pulseira com elos alternados ou um colar cujo fecho introduza um segundo tom são formas discretas de entrar na tendência sem risco de exageros. A segunda abordagem — talvez a mais democrática — é a sobreposição. Escolher uma base (por exemplo, uma corrente fina em ouro amarelo), acrescentar uma segunda peça num tom contrastante (ouro branco) e, se o resultado parecer equilibrado, introduzir uma terceira (ouro rosa). A chave está na proporção: um dos tons deve dominar, funcionando como âncora visual, enquanto os restantes entram como acentos. A terceira abordagem, mais adequada a quem já se sente confortável com a mistura, é a das camadas assimétricas. Colares de comprimentos diferentes, com tons diferentes, sobrepostos de forma deliberadamente irregular. Brincos que não combinam entre si. Anéis empilhados em dedos diferentes. O objetivo não é a simetria, mas a composição pessoal — aquilo a que os stylists chamam "intenção" em vez de "perfeição". O que distingue uma boa mistura de uma má mistura Apesar do que a liberdade da tendência possa sugerir, o mixed metal não é aleatório. Há uma diferença subtil mas importante entre uma composição que parece intencional e uma que parece descuidada. Essa diferença reside, sobretudo, na consistência de estilo. Misturar um anel minimalista em ouro branco com uma bracelete escultórica em ouro amarelo funciona porque ambos partilham uma linguagem de design — geometria limpa, ausência de ornamentação excessiva. Misturar uma peça delicada com uma peça de estilo completamente diferente, em tom contrastante, corre o risco de parecer uma justaposição forçada em vez de uma escolha deliberada. A regra prática é esta: os tons podem variar, mas a linguagem estética deve manter uma linha de continuidade. Outro princípio útil diz respeito à proximidade física. Peças que se tocam — anéis no mesmo dedo, braceletes no mesmo pulso, camadas de colares que se sobrepõem — beneficiam de uma mistura mais controlada, com um tom claramente dominante. Peças que ocupam zonas distintas do corpo (brincos num tom, anel noutro) suportam contrastes mais acentuados sem perderem coerência. Por fim, há a questão do acabamento. A tendência para o outono/inverno 2026 favorece superfícies escovadas e acetinadas em detrimento do polimento espelhado . Isto aplica-se também ao mixed metal: uma mistura de tons com acabamentos uniformes (todos polidos, ou todos escovados) lê-se como mais coesa do que uma combinação que justapõe superfícies muito diferentes. A textura, tal como o tom, deve ser pensada. E aqui, mais uma vez, o aço inoxidável tem uma vantagem: o seu acabamento mate ou escovado combina naturalmente com o ouro escovado, criando uma unidade de textura que facilita a mistura. Mixed metal à portuguesa: uma tradição que já existia Há algo de curioso nesta tendência quando a observamos a partir de Portugal. A ourivesaria portuguesa tradicional sempre teve uma relação complexa com a uniformidade de metais. As peças de filigrana, os cordões de Viana, os brincos de arrecadas — muitas destas formas históricas combinam prata e ouro, ou diferentes ligas, sem qualquer pudor. A ideia de que os metais devem combinar entre si é, em grande medida, uma importação recente, mais ligada à estética industrial do século XX do que à tradição manual portuguesa. Isto significa que o mixed metal contemporâneo não é uma ruptura com a tradição nacional, mas uma redescoberta de uma liberdade que já existia. Para a Lusijoia, esta é uma oportunidade particularmente interessante: as peças de ouro português — muitas delas com marcas de contraste que atestam a sua autenticidade — ganham uma nova vida quando combinadas entre si, independentemente do tom que apresentam. E o aço inoxidável, pela sua neutralidade, pode funcionar como a ponte entre peças que de outra forma pareceriam distantes. A tendência também dialoga com a economia circular que a Lusijoia tem vindo a promover. Se o ouro usado que chega às nossas mãos pode ser reutilizado, reciclado ou transformado, a mistura de tons é mais um argumento a favor da longevidade das peças. Uma joia em ouro amarelo que já não se usa pode tornar-se a base perfeita para uma composição em camadas com uma peça em ouro branco que estava esquecida numa gaveta — ou com uma peça de aço inoxidável que nunca pensou usar ao lado do ouro. O resultado é um look novo sem custo ambiental acrescido. O que evitar (sem cair em dogmas) Seria contraditório apresentar o mixed metal como uma tendência de liberdade e, ao mesmo tempo, construir uma lista rígida de proibições. Mas há alguns erros comuns que vale a pena conhecer, nem que seja para os cometer de forma consciente. O primeiro é a sobrecarga. Misturar três tons diferentes em todas as peças que se usam ao mesmo tempo raramente produz um resultado elegante. A tendência funciona melhor quando há respiração visual — quando o olhar encontra pontos de descanso entre as misturas. Um look em que pulseiras, colares, brincos e anéis competem todos pela atenção dos diferentes tons torna-se ruidoso em vez de sofisticado. O aço, por ser visualmente mais discreto, pode ajudar a criar esses pontos de descanso — mas só se não for usado em excesso. O segundo é ignorar a escala. Um anel muito fino em ouro branco ao lado de uma bracelete muito larga em ouro amarelo pode funcionar, mas a discrepância de proporções precisa de ser intencional. Se a peça mais pequena parecer um acidente em vez de um contraponto, a composição perde força. O terceiro — e talvez o mais importante — é tratar a tendência como uma obrigação. O mixed metal não é uma regra nova que substitui a antiga. É uma permissão. Quem preferir continuar a usar apenas ouro amarelo, ou apenas ouro branco, não está "fora de moda": está a fazer uma escolha tão válida como qualquer outra. A diferença é que, agora, essa escolha já não é a única possível. E quem quiser acrescentar aço inoxidável a essa escolha tem, pela primeira vez em muito tempo, legitimidade para o fazer. Uma tendência com consequências duradouras O que torna o mixed metal do outono/inverno 2026 diferente de outras tendências sazonais é a sua capacidade de sobreviver para além da estação. Ao contrário de uma cor da moda ou de uma silhueta passageira, a mistura de tons de ouro não depende de um contexto específico. Funciona no verão e no inverno, em contexto formal e informal, com peças caras e com peças acessíveis. E funciona também com materiais que não são ouro — desde que a composição seja pensada. Mais do que uma tendência, é uma mudança de mentalidade. Durante décadas, a joalharia foi ensinada como um exercício de coerência: escolha um estilo, um metal, uma linguagem, e mantenha-se fiel. O que o outono/inverno 2026 propõe é o oposto: que a coerência não está na uniformidade dos materiais, mas na intenção de quem os usa. Uma composição de tons diferentes — ouro amarelo, ouro rosa, ouro branco e até aço inoxidável — pode ser tão coerente, ou mais, do que uma coleção perfeitamente monocromática, desde que revele uma escolha consciente. Para quem trabalha com ouro usado e joalharia de segunda vida, esta é uma mensagem particularmente poderosa. As peças que chegam até nós carregam histórias diferentes, tons diferentes, épocas diferentes. A tendência do mixed metal vem dizer que essas diferenças não são um defeito a corrigir, mas uma riqueza a explorar. Que uma caixa de joias heterogénea não é um problema de organização, mas uma coleção de possibilidades. E que o aço inoxidável, tantas vezes esquecido, pode ser parte dessa coleção. O outono de 2026 fica marcado, assim, por uma ideia simples mas transformadora: o ouro não precisa de ser uniforme para ser belo. Pode ser amarelo, rosa e branco ao mesmo tempo. Pode misturar-se com aço, sobrepor-se, contrariar-se. E, no fim, o resultado é mais pessoal — e mais moderno — do que qualquer regra alguma vez permitiu. Na Lusijoia, acompanhamos as tendências da joalharia contemporânea sem esquecer o valor intrínseco de cada peça. Se tem ouro usado que gostaria de transformar — ou simplesmente de avaliar —, a nossa equipa de avaliadores certificados está disponível para o ajudar.
Justiça Portuguesa leva a leilão 33 lotes de ouro avaliados em meio milhão de euros
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Justiça Portuguesa leva a leilão 33 lotes de ouro avaliados em meio milhão de euros
Há leilões que são apenas transações comerciais. E depois há leilões que contam histórias — histórias de investigações judiciais, de bens apreendidos, de processos que se arrastam durante anos nos tribunais. O leilão de 33 lotes de ouro que o Estado português colocou à venda em setembro de 2026 é um desses casos.Estamos a falar de meio milhão de euros em barras de ouro, joias e outros objetos preciosos, todos eles provenientes de processos judiciais. Bens que foram apreendidos, recuperados ou declarados perdidos a favor do Estado. E que agora procuram novos donos.A operação foi promovida pelo Gabinete de Administração de Bens (GAB), o organismo que integra o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) do Ministério da Justiça, e as licitações decorreram na plataforma E-leilões até 7 de outubro de 2026.Mas o que está por trás desta venda? Quem são os verdadeiros protagonistas desta história? E porque é que este leilão é apenas a ponta do iceberg de um sistema muito mais complexo?O que foi leiloadoOs 33 lotes incluíam uma variedade impressionante de bens. Desde barras de ouro com pureza certificada até joias de diferentes épocas e estilos, passando por objetos em metais preciosos de natureza variada.As avaliações individuais dos lotes variavam entre os 6 mil e os 25 mil euros, refletindo a diversidade e o valor dos bens disponíveis.Entre os exemplos que chegaram ao conhecimento público através da plataforma E-leilões, destacam-se peças como uma pulseira em ouro de 19,2kt cravejada com granadas, com contraste "dragão" datado de 1938-84 e um peso de 52,2 gramas. Ou um lote composto por lâmina de ouro de 999,9‰, com um peso total bruto de aproximadamente 198,7 gramas, acompanhado por relatório de ensaio emitido pela Contrastaria da INCM.Havia também lotes mais invulgares, como 24 anéis em vias de fabrico, em ouro branco de 800‰, com marcas portuguesas em vigor.Todos estes bens foram previamente avaliados por peritos oficiais, e a documentação disponível incluía relatórios de ensaio, certificações de pureza e contrastes da INCM — garantindo transparência e rigor em todo o processo.Quem é o GAB e o que fazPara entender este leilão, é preciso entender o organismo que o promove. O Gabinete de Administração de Bens não é uma casa de leilões comum. É um serviço público, integrado no Ministério da Justiça, com uma missão específica: administrar, conservar e gerir bens apreendidos, recuperados ou declarados perdidos a favor do Estado.Quando um objeto é apreendido no âmbito de uma investigação criminal — seja uma barra de ouro, um carro, um imóvel ou uma obra de arte — pode ficar durante anos à ordem do processo. Até haver uma decisão definitiva do tribunal, alguém tem de garantir que esse património é conservado, gerido e, sempre que possível, que não perca valor.É aí que entra o GAB. O gabinete pode ficar responsável por: Dinheiro, ouro e outros metais preciosos Joias e objetos de valor Veículos automóveis Embarcações e aeronaves Imóveis Participações sociais em empresas Quando um bem é definitivamente perdido a favor do Estado, o GAB pode promover a sua venda. Mas não só. Dependendo do caso, pode também ser proposta ou determinada a sua afetação a uma entidade pública ou outro destino previsto na lei.Os números que mostram a dimensão do sistemaO leilão de setembro de 2026 não é um caso isolado. É parte de um sistema que movimenta milhões de euros todos os anos.Só em 2021, foram entregues ao GAB 836 bens apreendidos ou perdidos a favor do Estado, na sequência de 352 pedidos das autoridades judiciárias e do Gabinete de Recuperação de Ativos. O valor dos bens ultrapassava os 23 milhões de euros.Nesse mesmo ano, o gabinete colocou em leilão bens avaliados em cerca de 1,5 milhões de euros. A lista incluía uma aeronave, várias embarcações, ouro e outros metais preciosos, motociclos e automóveis.A atividade manteve-se nos anos seguintes. Em 2024, foram realizados 130 leilões de bens apreendidos, recuperados ou perdidos a favor do Estado, com um valor de avaliação superior a 12,4 milhões de euros. Até 23 de dezembro desse ano, as vendas tinham permitido arrecadar 994.700 euros.Em 2023, por exemplo, foram colocadas à venda duas participações sociais em empresas ligadas à pesca, uma embarcação de pesca avaliada em 150 mil euros e um veleiro avaliado em 100 mil euros.E os números continuam a crescer. De acordo com dados divulgados pelo IGFEJ, o Estado tem atualmente à sua guarda: 2.254 viaturas 1.288 imóveis 71 embarcações 1.749 objetos em ouro e materiais preciosos 356 obras de arte 1.743 contas bancárias apreendidas Além disso, há 779 processos em curso em que foi solicitada a intervenção do GAB, mas que aguardam decisão judicial.Nem sempre o destino é o leilãoA venda é uma das soluções, mas não é necessariamente a primeira nem a única. Em determinadas situações, a lei permite que um bem seja vendido antes de existir uma decisão definitiva no processo.A chamada venda antecipada pode ser usada, por exemplo, quando existe risco de o bem se deteriorar, perder valor ou gerar custos elevados de conservação. O dinheiro obtido com a venda fica depois associado ao processo e aguarda a decisão final do tribunal sobre o seu destino.Um dos casos mais mediáticos foi o de uma moradia de luxo na Quinta da Marinha, vendida pelo GAB em 2026 por cerca de 11 milhões de euros. A avaliação do imóvel era superior a oito milhões. Como se tratou de uma venda antecipada autorizada pelo tribunal, o dinheiro permanece depositado à ordem do processo até haver uma decisão definitiva.Há também casos em que os bens são afetados a entidades públicas. Desde 2011, foram afetadas 126 viaturas automóveis a diversos organismos e entidades públicas.O que acontece aos bens que ninguém compraNem todos os bens encontram comprador no primeiro leilão. De acordo com dados da plataforma E-leilões, em média apenas 42% das vendas é realizada no primeiro leilão do bem. A maioria regressa a leilão, muitas vezes com valores reduzidos.Quando não há procura suficiente, a venda passa a negociação particular. Como explica Mara Fernandes, presidente do Conselho Profissional do Colégio dos Agentes de Execução, "o bem será sempre vendido", mas "poderá ter de ser reduzido o valor, de acordo com as partes e com o devido requerimento ao juiz".Este é um mecanismo importante para garantir que os bens não ficam indefinidamente na posse do Estado, gerando custos de conservação e manutenção.A plataforma E-leilões: dez anos de históriaA plataforma E-leilões foi criada em 2016, inicialmente para vender bens penhorados. Hoje, já inclui bens apreendidos, recuperados ou declarados perdidos a favor do Estado em processos-crime, assim como ativos fruto de insolvências.Em dez anos de funcionamento, até julho de 2026, a plataforma vendeu mais de 8 mil milhões de euros em bens, em mais de 105 mil leilões realizados, que contaram com 1,41 milhões de licitações.Os bens imóveis são os mais licitados — desde prédios a apartamentos, moradias ou terrenos. Em 10 anos, as vendas nesta categoria chegaram aos 7,8 mil milhões de euros, com mais de um milhão de licitações.Nos últimos anos, os direitos passaram a ser a segunda categoria mais procurada, já foram vendidas partes ou quotas de heranças por um valor total de 153,7 milhões de euros.Os veículos ocupam agora a terceira posição, seguidos de bens mobiliários, que podem incluir maquinaria, peças de ouro e prata ou obras de arte.Como funciona a avaliação dos bensUm dos aspetos mais importantes de todo este processo é a avaliação dos bens. No caso do ouro e metais preciosos, a avaliação é feita por peritos oficiais, recorrendo a entidades de reconhecida competência.De acordo com documentos do próprio GAB, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) é a entidade responsável pela avaliação de ouro e metais preciosos. Esta é a mesma entidade que certifica as joias e metais preciosos em Portugal, garantindo padrões de qualidade e autenticidade.No caso específico dos lotes de ouro leiloados em setembro de 2026, os anúncios incluíam informações detalhadas sobre milésimas, contrastes, pesos e datas, tudo determinado por peritos avaliadores oficiais.Os interessados podiam também consultar relatórios de ensaio, como o caso do lote com lâmina de ouro de 999,9‰, que incluía um relatório de fluorescência de raio-X emitido pela Contrastaria da INCM.Como participar num leilão do GABSe ficou interessado em participar num futuro leilão do Estado português, aqui ficam as informações essenciais.Para participar, é necessário: Registar-se na plataforma E-leilões (www.e-leiloes.pt) Validar a identidade, apresentando número de contribuinte e morada em Portugal Consultar os anúncios de venda disponíveis na página do GAB no site do IGFEJ Acompanhar as licitações e, quando possível, agendar visitas para inspecionar os bens Os bens são vendidos no estado físico e jurídico em que se encontram. Isso significa que é da responsabilidade do proponente verificar o estado dos bens antes de licitar. A não verificação não é fundamento para anulação do procedimento de venda.Após o encerramento do leilão, o vencedor é notificado e tem tipicamente 15 dias úteis para proceder ao pagamento.Porque é que isto importaPara além do óbvio interesse financeiro — afinal, estamos a falar de ouro a preços potencialmente abaixo do mercado — este sistema tem uma importância que vai além do valor monetário.Em primeiro lugar, é uma forma de recuperar ativos para o Estado. O dinheiro obtido com estas vendas pode ser usado para financiar serviços públicos, para compensar vítimas de crimes ou para outros fins determinados pela lei.Em segundo lugar, é um mecanismo de justiça. Quando um bem é declarado perdido a favor do Estado, é porque o tribunal determinou que a sua origem era ilícita ou que não havia um proprietário legítimo identificável. A venda pública garante que esse bem regressa ao circuito legal, gerando valor para a sociedade.Em terceiro lugar, é uma questão de transparência. Todos os processos são públicos, documentados e sujeitos a escrutínio. Qualquer cidadão pode consultar os anúncios, participar nas licitações e acompanhar os resultados.O que isto significa para o mercado do ouroPara quem compra e vende ouro, este tipo de leilões representa uma oportunidade única. Por um lado, há a possibilidade de adquirir ouro a preços competitivos. Por outro, há a garantia de que os bens foram avaliados por peritos oficiais e que toda a documentação está em ordem.No entanto, é importante ter em conta que estes leilões não são para amadores. É preciso: Conhecer o mercado e saber avaliar o valor real dos bens Ter capacidade financeira para fazer lances competitivos Estar preparado para lidar com a burocracia inerente a estes processos Compreender que os bens são vendidos no estado em que se encontram Para quem tem experiência no mercado de ouro, estes leilões podem ser uma fonte interessante de peças únicas — desde joias vintage a barras de ouro com certificação de pureza.E depois do leilão?O leilão de setembro de 2026 já terminou, mas o sistema continua a funcionar. O GAB realiza leilões regularmente ao longo do ano, e há sempre novos lotes disponíveis.Quem ficou interessado pode acompanhar as próximas iniciativas através da página do IGFEJ, onde são publicados os anúncios de venda de bens. A plataforma E-leilões está sempre ativa, com centenas de lotes disponíveis em diferentes categorias.E para quem não tem interesse em participar, fica a curiosidade de saber que, em algum lugar, há um cofre do Estado português cheio de ouro que aguarda o próximo leilão. Histórias de investigações judiciais, de bens apreendidos, de processos que se arrastam durante anos. E, no fim de tudo, uma nova oportunidade para esses objetos brilharem novamente.Nota da equipa: Na Lusijoia, acompanhamos com interesse o mercado do ouro em todas as suas formas. Se tem ouro que gostaria de vender ou avaliar, a nossa equipa de especialistas — incluindo avaliadores oficiais da Casa da Moeda — está disponível para o ajudar. A transparência e o rigor são a nossa prioridade. Visite-nos na loja ou online.#Lusijoia #Leilões #Ouro #GAB #MinistérioDaJustiça #BensApreendidos #InvestimentoEmOuro #E-Leilões #Justiça #Transparência
Furto com Final Feliz: GNR recupera peças em ouro no valor de 80 mil euros
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Furto com Final Feliz: GNR recupera peças em ouro no valor de 80 mil euros
Há notícias que nos deixam com um nó na garganta. Não pelo valor em si, mas pelo que representam. Há pouco tempo, a GNR recuperou cerca de 80 mil euros em peças de ouro que tinham sido furtadas do interior de uma habitação em Serpa, no distrito de Beja.Felizmente neste caso, o suspeito, um homem de 46 anos, foi identificado e constituído arguido e as peças foram restituídas ao seu legítimo proprietário.À primeira vista, é uma história com final feliz. A GNR fez o seu trabalho, o suspeito foi detido, o ouro voltou para casa. Mas nós, na Lusijoia, não conseguimos deixar de pensar em tudo o que está por trás desta notícia.Porque este não é um caso isolado. É um padrão. E é um padrão que afeta, de forma particularmente cruel, a camada mais vulnerável da nossa população: os idosos e as pessoas que vivem sós ou em zonas mais remotas.O que aconteceu em SerpaSegundo o comunicado do Comando Territorial de Beja da GNR, as peças de metal precioso foram recuperadas na terça-feira por militares do Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento de Moura.A GNR explicou que "após a identificação de um suspeito, foi possível localizar e recuperar a totalidade dos bens furtados", tendo um homem, de 46 anos, sido constituído arguido por ser suspeito da autoria do furto. Os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Serpa, e a ação contou com o reforço do Posto Territorial de Serpa.O que a notícia não diz — porque não é o seu papel — é o que este furto representa para quem o sofreu. Uma casa assaltada não é apenas uma casa com menos objetos. É um espaço de intimidade violado. E quando esses objetos são joias — peças que muitas vezes carregam décadas de memória, heranças de família, presentes de pessoas que já partiram — o dano é irreparável, mesmo que o ouro volte.Um padrão que se repete: os idosos como alvo preferencialSe pensarmos que este foi um caso isolado, estamos a enganar-nos. Os números contam uma história diferente. Só entre janeiro e agosto de 2026, a GNR registou 2.720 crimes de burla a idosos, 4.545 crimes de furto a idosos e 417 crimes de roubo a idosos.Em 2025, a Guarda Nacional Republicana sinalizou 43.074 idosos que vivem sozinhos e/ou isolados, ou em situação de vulnerabilidade.Estes números não são apenas estatísticas. São pessoas. São avós, pais, vizinhos. São pessoas que construíram uma vida e que, numa fase de maior fragilidade, se tornam alvos de quem não tem escrúpulos.Os esquemas: como os criminosos atuamA criatividade dos criminosos não tem limites — e é precisamente essa criatividade que torna este problema tão difícil de combater. Vamos aos esquemas mais comuns.1. Os falsos funcionáriosHomens e mulheres que se fazem passar por técnicos, representantes de entidades, funcionários da junta de freguesia ou da segurança social. Tocam à campainha, apresentam-se com uma história credível e conseguem entrar nas casas das vítimas. Uma vez lá dentro, distraem-nos e furtam o que encontram.2. Os falsos profissionais de saúdeEste é um dos esquemas mais cruéis. Em julho de 2026, cinco pessoas foram acusadas de se fazerem passar por médicos e enfermeiras para realizar 16 assaltos a casas de idosos na área da Grande Lisboa.O modus operandi era sempre o mesmo: as mulheres, vestidas de bata branca, anunciavam-se como enfermeiras do centro de saúde ou da Santa Casa da Misericórdia. Pediam para ver as condições da casa ou para avaliar os medicamentos dos idosos. Enquanto uma distraía a vítima, a outra dirigia-se aos quartos e furtava o ouro.Num dos assaltos, ocorrido em Algés, as assaltantes levaram objetos em ouro no valor de 15 mil euros. Dias depois, furtaram oito mil euros numa casa em Barcarena.3. O falso cuidadorEm setembro de 2026, um homem de 31 anos foi detido por se fazer passar por cuidador de idosos para lhes furtar bens e dinheiro. Falsificou habilitações para ser contratado por empresas de cuidados informais, ganhou a confiança de pelo menos 15 vítimas e apropriou-se de cerca de 100 mil euros.O que torna este caso particularmente perturbador é a frieza do esquema: o homem aproveitava-se da condição clínica das vítimas, da sua dependência, da sua confiança. Duas das vítimas ficaram lesadas em 25 mil euros cada uma.4. O "conto do vigário"Um esquema clássico, mas que continua a funcionar. O criminoso aborda a vítima na rua, muitas vezes perto de casa ou de um banco, com uma conversa que envolve a troca de dinheiro ou a promessa de um negócio vantajoso. A vítima, muitas vezes confusa ou pressionada, acaba por entregar dinheiro ou objetos de valor.5. As burlas telefónicas e onlineAs burlas informáticas são cada vez mais frequentes. Chamadas telefónicas a fingir serem do banco, emails com links fraudulentos, pedidos de pagamento via MB Way. Os criminosos exploram a falta de literacia digital de muitos idosos para obter acesso às suas contas ou para os convencer a fazer pagamentos.Porque é que os idosos são os alvos preferenciais?A resposta é desconfortável, mas necessária: porque são vistos como presas fáceis.Muitos idosos vivem sozinhos. Têm rotinas previsíveis. Podem ter dificuldades de audição, de visão ou de mobilidade. Podem estar isolados socialmente, o que os torna mais suscetíveis a conversas de quem se apresenta como amigo ou autoridade. E, em muitos casos, têm em casa objetos de valor — joias, ouro, dinheiro — que guardam há décadas, longe dos bancos e dos cofres.Há também um fator cultural: a geração mais idosa foi criada numa época em que a palavra dada valia algo, em que as pessoas eram mais confiáveis. Essa confiança, que é uma virtude, torna-os mais vulneráveis a quem não a merece.O que podemos fazer? Medidas de prevençãoNão podemos mudar o passado. Mas podemos proteger o futuro. Aqui ficam algumas medidas que podem fazer toda a diferença.Para os idosos (e para quem cuida deles): Não abrir a porta a estranhos. Nunca. Mesmo que se apresentem como funcionários, técnicos ou profissionais de saúde. Se for necessário, pedir identificação e confirmar junto da entidade. Não entregar dinheiro nem objetos de valor a quem quer que seja. Nenhuma entidade oficial pede dinheiro ou joias à porta de casa. Não ceder à pressão. Os criminosos tentam criar urgência. "Tem de ser agora." "É uma oportunidade única." A resposta deve ser sempre: "Vou pensar" ou "Vou falar com o meu filho". Ter os números de emergência à mão. GNR (213 217 000 ou 112), PSP (112), e o número da esquadra local. Informar a GNR quando se ausentar de casa por vários dias. Não deixar sinais de ausência — correspondência acumulada, luzes apagadas durante dias, etc. Evitar circular sozinho na rua, especialmente à noite. E não usar objetos de valor de forma visível. Para as famílias: Falar com os pais e avós sobre estes esquemas. Muitas vezes, o silêncio e a vergonha impedem que as vítimas denunciem. É preciso criar um ambiente de confiança para que se sintam à vontade para partilhar. Estar atento a sinais de alarme. Mudanças de comportamento, desaparecimento de objetos, ansiedade, medo de atender a porta ou o telefone. Ajudar a guardar as joias em segurança. Um cofre, um banco, ou um local discreto e seguro. Não na gaveta da mesa de cabeceira, onde os ladrões vão diretamente. Fazer um inventário das peças de valor. Fotografias, descrições, valores. É essencial em caso de furto, para a denúncia e para o seguro. Considerar um seguro específico para joias. Para as autoridades e instituições:A GNR tem desenvolvido um trabalho meritório nesta área, através de programas como o "Apoio 65 – Idosos em Segurança" e a Operação "Censos Sénior", que em 2026 sinalizou 43.074 idosos em situação de vulnerabilidade.Mas o combate a este fenómeno exige mais. Exige mais ações de sensibilização — como as que têm sido realizadas em freguesias de todo o país, em parceria com as autarquias e as forças de segurança. Exige mais policiamento de proximidade. Exige penas exemplares para quem se aproveita dos mais vulneráveis. E exige, acima de tudo, uma cultura de denúncia — porque muitos casos nunca chegam a ser reportados.E as peças em si? Como guardá-las em segurançaNa Lusijoia, sabemos que as joias não são apenas objetos de valor. São memórias. São heranças. São pedaços de vida que queremos manter por perto.Por isso, deixamos algumas recomendações práticas para guardar as suas peças de ouro em segurança: Escolha um local seguro. Um cofre, de preferência. Se não for possível, um local discreto e pouco óbvio — não a gaveta da mesa de cabeceira, onde os ladrões procuram primeiro. Evite a humidade e a luz direta. Um ambiente fresco e seco preserva o brilho do ouro. Use estojos individuais. Cada peça no seu estojo, revestido de veludo ou camurça, para evitar riscos e atritos. Faça um inventário fotográfico. Antes de guardar, fotografe cada peça. É essencial para a denúncia e para o seguro. Considere um seguro específico para joias. Vale a pena o investimento para ter tranquilidade. Use as suas joias. Parece contra intuitivo, mas o uso regular ajuda a mantê-las em bom estado e evita que fiquem esquecidas num canto, à mercê de quem as procura. O que a Lusijoia pode fazer por siNa Lusijoia, temos uma equipa de avaliadores oficiais da Casa da Moeda. Compramos ouro usado com transparência e damos-lhe uma nova vida. Mas também queremos ser parte da solução para este problema.Se tem joias que já não usa, uma boa forma de as proteger é vendê-las — transformando um risco em segurança. Se quer manter as suas peças, nós ajudamos a avaliá-las e a aconselhar sobre a melhor forma de as guardar.E se for vítima de furto ou burla, a nossa recomendação é sempre a mesma: denuncie. À GNR, à PSP, ao Ministério Público. Porque o silêncio protege os criminosos, não as vítimas.Nota da equipa: Na Lusijoia, acreditamos que a informação é a melhor proteção. Partilhe este artigo com quem precisa de o ler — os seus pais, os seus avós, os seus vizinhos. A prevenção começa com o conhecimento. E a segurança de quem amamos não tem preço.#Lusijoia #Segurança #Prevenção #Idosos #FurtoDeOuro #Burlas #GNR #Serpa #Ourivesaria
Uma Barra de Ouro escondida na Lapónia: Caça ao Tesouro
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Uma Barra de Ouro escondida na Lapónia: Caça ao Tesouro
Uma barra de ouro avaliada em 20 mil euros escondida algures nas paisagens da Lapónia finlandesa. E a melhor parte? Quem a encontrar, fica com ela!Parece o argumento de um filme de aventuras, mas é real. A estância de esqui de Levi, uma das mais conhecidas da Finlândia, lançou uma caça ao tesouro que prometeu atrair aventureiros de todo o mundo — e cumpriu. A iniciativa chamou-se Midnight Sun Hunt (Caçada ao Sol da Meia-Noite) e decorreu entre 18 de junho e 22 de agosto de 2026, embora tenha terminado mais cedo do que o previsto.Nós, na Lusijoia, adoramos ouro. Mas confessamos que esta história nos deixou com uma pontinha de inveja. Vamos contar-lhe tudo.Como funcionou a caçada ao ouroO funcionamento era simples — mas exigia espírito de aventura. Os interessados tinham de se registar no Levi Visitor Centre, onde recebiam a primeira pista. A partir daí, cada nova pista divulgada ao longo do verão conduzia os caçadores por trilhos, pontos de interesse locais e serviços da região.A barra de ouro podia ser encontrada após qualquer pista, embora as pistas subsequentes fossem tornando o esconderijo progressivamente mais fácil de localizar. A pista final estava prevista para 22 de agosto, mas a organização deixava claro que a caçada poderia terminar antes disso.Regras essenciais da caçada Sem escavações — o prémio foi escondido de forma a não exigir qualquer intervenção no terreno Respeito pela natureza — os participantes só podiam circular em áreas autorizadas Segurança em primeiro lugar — as regras e recomendações estavam disponíveis no site oficial do evento Porque é que uma estância de esqui escondeu ouro no verão?A resposta está na estratégia de turismo. Levi é mundialmente conhecida pelas suas pistas de esqui e pela observação de auroras boreais no inverno. Mas a região tem um segredo de verão: o sol da meia-noite, um fenómeno natural em que o sol permanece acima do horizonte durante semanas, permitindo atividades ao ar livre 24 horas por dia. "Levi é conhecida sobretudo pelo seu inverno, mas o verão do norte ainda é um segredo para muitos. Queremos dar aos viajantes um novo motivo para visitar Levi quando o sol nunca se põe e a paisagem das colinas revela uma cara completamente diferente." — Satu Pesonen, CEO da Visit Levi A caçada foi organizada pela Visit Levi, em parceria com a Agnico Eagle Finland (uma empresa mineira de ouro com sede em Kittilä) e a Levi Ski Resort. O objetivo era posicionar a região como um destino de turismo sustentável e ativo durante todo o ano.O desfecho: 33 dias depois, o ouro foi encontradoA caçada terminou mais cedo do que o previsto. Após 33 dias de buscas, um viajante finlandês de 28 anos, natural de Espoo, encontrou a barra de ouro. Estava de férias em Levi, sozinho, e tinha recebido um vale de hotel como presente de Natal de um familiar — decidiu usá-lo quando soube da caçada.O momento da descoberta aconteceu no Kätkätunturi, uma colina alta na área de Levi. O prémio estava escondido a norte do trilho de caminhada, entre um campo de grandes rochas. O caçador já tinha recolhido três pistas antes de encontrar o tesouro.Quanto ao futuro da barra? O vencedor planeia vendê-la em breve, colocar a maior parte do dinheiro em poupança e usar uma pequena parte para uma próxima viagem. "Talvez nessa viagem não tenha de dormir numa tenda", brincou.Um fenómeno de comunicação globalA Midnight Sun Hunt não passou despercebida. A caçada foi noticiada em mais de 60 países, com cobertura de meios como a CNN e o The Independent.A Visit Levi considerou que a iniciativa superou todas as expectativas, tanto em termos de visibilidade internacional como de participação. "Esperávamos que a Midnight Sun Hunt inspirasse as pessoas a descobrir Levi durante o verão, mas a resposta global ultrapassou tudo o que imaginámos", afirmou Satu Pesonen.E em 2027? Há mais ouro para encontrarA boa notícia para quem ficou com vontade de participar: a organização já confirmou que a Midnight Sun Hunt voltará no verão de 2027. Os preparativos já estão em curso.Se sempre sonhou em caçar um tesouro, talvez 2027 seja o seu ano. E nós, na Lusijoia, ficamos à espera de saber quem vai ser o próximo a encontrar o ouro escondido na Lapónia.Nota da equipa: Na Lusijoia, somos verdadeiramente apaixonados por ouro e por todos os metais — mas preferimos o que brilha à luz do dia (ou da meia-noite). Se procura uma peça certificada e feita à mão em Portugal, visite-nos. Temos peças que valem muito mais que qualquer tesouro escondido.#Lusijoia #MidnightSunHunt #Levi #Lapónia #Ouro #CaçaAoTesouro #Finlândia
MUDE. Toda a beleza do mundo em 502 joias contemporâneas
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MUDE. Toda a beleza do mundo em 502 joias contemporâneas
Há uma pulseira que parece feita de borracha. Simples. Quase despretensiosa. Mas quando a segura nas mãos e percebe o peso, descobre o que está lá dentro: ouro maciço. É uma criação do alemão Otto Künzli, e resume tudo o que vai encontrar no MUDE este outono. O que parece simples esconde uma profundidade inesperada. O que parece comum revela uma beleza que exige o nosso reconhecimento.O Museu do Design de Lisboa abriu as portas a duas exposições que colocam a joalharia contemporânea no centro da cidade. No total, são 502 peças que nos convidam a repensar o que é uma joia — e, por extensão, o que é o valor, a beleza e o próprio ato de criar.O que encontra no MUDEO piso 2 do museu, na Rua Augusta, acolhe duas mostras complementares que integram a programação oficial da 3.ª Bienal de Joalharia Contemporânea de Lisboa.A primeira é a Coleção Tereza Seabra, uma doação extraordinária ao Município de Lisboa que reúne 346 obras de 196 autores — 84 portugueses e 112 estrangeiros. Tereza Seabra, artista, galerista e professora de 82 anos, passou mais de quatro décadas a reunir estas peças. Não é uma antologia do seu trabalho, mas sim um espelho da sua visão enquanto colecionadora e da rede de cumplicidades que construiu com diferentes gerações de criadores.A segunda é "Coexistências – A Joalharia e a Beleza do Mundo", a exposição nuclear da Bienal, com curadoria de Marta Costa Reis e Patrícia Domingues. Aqui, o tema é claro: como podemos coexistir de forma mais justa, empática e interligada com os outros mundos que nos rodeiam — o mineral, o microbiano, o fúngico, o vegetal, o animal, o espiritual e o digital?Uma pulseira que esconde ouro (e uma lição sobre o valor)A história da pulseira de Otto Künzli é o melhor ponto de partida para entender o que distingue a joalharia contemporânea. Por fora, borracha. Por dentro, ouro. A diretora do MUDE, Bárbara Coutinho, explica o que está em jogo: "Não é o valor do material que aqui interessa, é o valor do conceito, a ideia, o desafio de reflexão proposto".Esta inversão — o precioso escondido no comum — atravessa toda a exposição. Vai encontrar criações feitas a partir de cascas de cebola (numa gola gigante que é tão visualmente forte quanto efémera), lamelas de comprimidos, película de ovo, laranja desidratada, pêlos humanos, areia de uma praia artificial ou velhas carcaças de telemóveis.Materiais que normalmente associamos ao lixo ou ao desperdício tornam-se, aqui, veículos de reflexão sobre o corpo, a sociedade e a cultura. Como diz Bárbara Coutinho, "podemos encontrar o belo nas coisas mais comuns, que requerem o nosso reconhecimento".Tereza Seabra: a mulher que colecionou meio século de joalhariaTereza Seabra nasceu em 1944. Aos 82 anos, continua ativa e a apoiar novos joalheiros. A sua coleção é um mapa visual de uma vida dedicada à joalharia contemporânea — como criadora, como professora, como galerista e, agora, como doadora.As peças mais antigas remontam a 1968, apesar de a exposição não estar organizada cronologicamente. O que une este conjunto é a visão de uma colecionadora que nunca se deixou levar pelo valor material, mas sempre pelo valor conceptual.A incorporação desta coleção no MUDE não é um acidente. Desde 2019, o museu tem vindo a constituir um núcleo de joalharia contemporânea em parceria com a PIN – Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea. A doação de Tereza Seabra dá agora uma nova escala a esse projeto, consolidando Lisboa como um ponto de referência neste campo a nível internacional."Coexistências": a exposição que pergunta como habitamos o mundoSe a Coleção Tereza Seabra olha para o passado — para seis décadas de criação —, "Coexistências" olha para o futuro. E fá-lo com urgência.A exposição parte de uma pergunta central: como podemos coexistir de forma mais justa e interligada?. Num momento em que a inteligência artificial se torna predominante, os curadores convidam-nos a questionar as outras inteligências que existem no mundo e com as quais raramente nos relacionamos."O que nos diz uma pedra, um pau, uma pinha, os animais? Temos dificuldade em comunicar", reflete Marta Costa Reis. A joalharia, com a sua capacidade de operar na fronteira entre corpo e mundo, entre matéria e símbolo, é o veículo perfeito para esta exploração.O design expositivo, assinado por Miguel Vieira Baptista, recria um gabinete de curiosidades contemporâneo, com tons de terracota e uma densidade visual que convida à classificação e à descoberta. As joias parecem flutuar em estruturas transparentes de acrílico e acetato de poliuretano, num design que desmaterializa o suporte e coloca as peças no centro da atenção.O que torna esta exposição diferente de tudo o que já viu1. A joalharia não é um acessórioA primeira coisa que precisa de esquecer é a ideia de que uma joia é apenas um adorno. Aqui, cada peça é uma obra de arte conceptual que interpela o corpo, a sociedade e a ecologia. A joia é um objeto que sempre operou na fronteira — entre o corpo e o mundo, entre a matéria e o símbolo, entre a presença e a memória.2. O valor não está no materialOuro, prata, diamantes? Tudo isso existe, claro. Mas o que interessa aqui é o conceito. Uma gola feita de casca de cebola pode ser tão valiosa — conceptualmente — como um colar de diamantes. A pergunta que fica é: porque é que damos valor ao que damos?3. Materiais que contam históriasOs artistas representados nesta exposição usam materiais que falam. Lamelas de comprimidos falam de saúde e doença. Película de ovo fala de fragilidade e proteção. Carcaças de telemóveis falam de tecnologia, obsolescência e memória. Cada material é uma escolha, e cada escolha é uma declaração.4. Uma bienal que vai além do museuO MUDE é o epicentro, mas a 3.ª Bienal de Joalharia Contemporânea estende-se por vários espaços de Lisboa, incluindo o Convento dos Cardaes e o Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual. São mais de 25 exposições e iniciativas paralelas, além de masterclasses, conferências e um simpósio internacional nos dias 25 e 26 de setembro.O que não pode perderAs masterclassesEntre 19 e 23 de setembro, o Ar.Co acolhe masterclasses com alguns dos nomes mais importantes da joalharia contemporânea internacional, como Ted Noten e Sofia Björkman. Uma oportunidade rara de aprender com quem está a definir o futuro da área.O colóquio internacionalNos dias 25 e 26 de setembro, o MUDE organiza um colóquio que reúne artistas, investigadores e pensadores de diferentes disciplinas. O programa está organizado em três sessões: "Materialidade Sentiente", "Alteridade" e "Tecnopoesia". Cada sessão é um convite a repensar as relações que nos constituem e a imaginar formas mais atentas e justas de habitar o mundo.O "Jewellery Room"Entre 25 e 27 de setembro, o Convento dos Cardaes acolhe o "Jewellery Room", um espaço dedicado à apresentação de peças de joalharia contemporânea. É uma oportunidade de ver — e, quem sabe, adquirir — obras de artistas emergentes e consagrados.A exposição "What Makes Us Blind"Também no Convento dos Cardaes, a exposição "What Makes Us Blind" abre a 23 de setembro, explorando os limites da perceção e da visão.Informações práticas Detalhe Informação Local MUDE – Museu do Design, Rua Augusta, 24, Lisboa Datas 25 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027 Horário Terça a domingo, 10h–19h (sextas e sábados até às 21h) Bilhete 11€ (descontos para estudantes, jovens 13–25 e seniores +65) Curadoria Coexistências Marta Costa Reis e Patrícia Domingues Curadoria Coleção Tereza Seabra Tereza Seabra, Manuel Castro Caldas e Marta Costa Reis Design expositivo Miguel Vieira Baptista (Coexistências) e Fernando Brízio (Coleção Tereza Seabra) Porque é que isto importa (mesmo para quem não é da área)Pode estar a pensar: "Eu não percebo nada de joalharia contemporânea. Isto é para especialistas." Ledo engano.Esta exposição não é sobre técnicas de ourivesaria ou sobre metais preciosos. É sobre como olhamos para o mundo. Sobre como damos valor às coisas. Sobre como nos relacionamos com os materiais, com os outros seres, com o planeta.A joalharia contemporânea é, talvez, a forma de arte mais íntima que existe. Está no corpo. Toca a pele. Acompanha-nos nos movimentos. E, por isso, é também a forma de arte mais política — porque questiona o que é que escolhemos trazer connosco e porquê.Quando vê uma gola feita de casca de cebola, ou uma pulseira de borracha que esconde ouro, está a ser convidado a pensar: o que é que eu valorizo? Porque é que valorizo isso? E o que é que isso diz sobre mim?Conclusão: 502 razões para ir ao MUDEO MUDE vai ter, a partir de 25 de setembro, uma das mais extensas apresentações de joalharia contemporânea alguma vez realizadas em Portugal. São 502 peças. 502 histórias. 502 convites à reflexão.Se gosta de joias, vai adorar. Se gosta de arte, vai adorar. Se gosta de pensar sobre o mundo em que vivemos, vai adorar ainda mais.E, já agora, se nunca pensou que uma casca de cebola pudesse ser bonita, prepare-se para mudar de ideias."E você, já visitou o MUDE? Vai aproveitar a Bienal para descobrir a joalharia contemporânea? Diga-nos nos comentários — e a conversa continua." ?#Lusijoia #MUDE #JoalhariaContemporanea #BienalDeJoalharia #Coexistencias #TerezaSeabra #LisboaNota da equipa: A joalharia contemporânea é um universo fascinante que nos desafia a repensar o que é uma joia. Na Lusijoia, valorizamos a tradição da ourivesaria portuguesa, mas também reconhecemos a importância de olhar para o futuro. Esta exposição é uma oportunidade única de ver como outros artistas estão a reinventar a joalharia — e, quem sabe, de nos inspirarmos para continuar a criar peças que contam histórias.
Portojóia 2026: "Luxury Redefined" e o futuro da joalharia portuguesa
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Portojóia 2026: "Luxury Redefined" e o futuro da joalharia portuguesa
Há eventos que marcam o calendário de qualquer profissional do setor. E, para quem trabalha em ourivesaria, joalharia ou relojoaria em Portugal, há um nome que se destaca: Portojóia. A maior feira do setor em território nacional regressa à Exponor, em Matosinhos, de 17 a 20 de setembro de 2026, para a sua 35.ª edição.Este ano, o mote é ambicioso: "Luxury Redefined". Não se trata apenas de uma frase bonita para colocar no cartaz. É uma declaração de intenções sobre o que o luxo significa hoje – e para onde caminha a indústria portuguesa.Se é profissional do setor, se está a pensar iniciar-se na joalharia, ou se simplesmente tem curiosidade em perceber o que se passa no mundo das joias em Portugal, este artigo é para si. Vamos percorrer tudo o que precisa de saber sobre a Portojóia 2026: o tema, o contexto económico, os expositores, as iniciativas, os novos talentos e, claro, porque é que este evento continua a ser incontornável.O que é a Portojóia (e porque é que importa)A Portojóia é, há mais de três décadas, o maior evento de joalharia, ourivesaria e relojoaria em Portugal. Organizada pela Exponor – Feira Internacional do Porto, a feira reúne marcas, designers, artesãos, fabricantes, retalhistas e compradores nacionais e internacionais num espaço que funciona como plataforma estratégica de negócio e de ligação entre os principais intervenientes do setor.Durante quatro dias, a Exponor transforma-se num verdadeiro ecossistema onde a tradição caminha ao lado da inovação. É aqui que se descobrem as tendências que definem o futuro do setor, se estabelecem contactos comerciais e se celebram as técnicas que fazem da ourivesaria portuguesa uma referência mundial.Um setor com pesoPara perceber a dimensão do que está em jogo, vale a pena olhar para os números. Em 2025, o setor fechou com um volume de negócios de 1.300 milhões de euros e exportações de cerca de 400 milhões de euros.A Contrastaria Portuguesa refletiu este dinamismo: houve um aumento de 2,5% no número de peças certificadas, num total de 4,6 milhões de artigos contrastados. Em termos de metal precioso, isso traduz-se em 1,3 toneladas de ouro e 9,9 toneladas de prata – um acréscimo de cerca de 18% e 11%, respetivamente, face ao ano anterior.Estes números não são apenas estatísticas. São a prova de que, apesar dos desafios – como o aumento contínuo do preço dos metais nobres –, a indústria portuguesa continua a afirmar-se, tanto no mercado interno como além-fronteiras."Luxury Redefined": o tema que define a ediçãoO tema da Portojóia 2026 não podia ser mais atual: "Luxury Redefined".O que significa isto, na prática? Significa que a feira vai explorar a evolução do luxo contemporâneo – aquele que já não se define pela ostentação pura, mas sim por valores como autenticidade, exclusividade e sustentabilidade.As três dimensões do novo luxoSegundo a organização, a "malha temática" da edição assenta em três pilares fundamentais: Peças com história, identidade e ligação emocional – joias que contam uma narrativa, que têm alma, que estabelecem uma conexão com quem as usa. Materiais éticos e processos de fabrico responsáveis – a aposta em metais de origem certificada, em práticas ambientalmente conscientes e na economia circular. Exclusividade consciente – a valorização da raridade, mas alinhada com valores maiores. Não se trata apenas de ser único, mas de ser único por uma razão que importa. Como explicou Diogo Barbosa, diretor-geral da Exponor, ao comentar a edição: "O certame será um espaço para explorar como a joalharia pode incorporar estes valores, apresentando peças que unem design sofisticado e responsabilidade social".Esta abordagem não é apenas uma tendência de marketing. É uma resposta às expectativas de um consumidor cada vez mais informado e exigente, que quer saber de onde vêm os materiais, como foram extraídos e qual o impacto ambiental e social daquilo que compra.O que vai encontrar na feiraA Portojóia 2026 não é apenas uma exposição de produtos. É um programa completo de atividades, pensado para profissionais e para o público em geral.Expositores e marcasA feira reúne os principais nomes do setor, incluindo associações representativas, marcas consolidadas e espaços dedicados ao design de autor e a novos talentos.Entre as entidades presentes, destacam-se: AORP – Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, a principal entidade representativa do setor, que reúne marcas de prestígio. Contrastaria Portuguesa (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), garante da autenticidade dos metais preciosos no mercado português. APIO – Associação Portuguesa da Indústria da Ourivesaria, rede institucional que apoia fabricantes e retalhistas. Entre as marcas e fabricantes de relevo, a organização destaca: Barroso Pratas – décadas de experiência em joalharia de ouro e prata de lei. Adelino Teixeira da Rocha e Claudiouro – representantes do tecido industrial e da capacidade exportadora de Portugal. Cristina Ferro Filigree – marca que prima pela preservação e inovação da técnica tradicional da filigrana portuguesa. Há ainda espaço para o Espaço Collectiva, com uma mostra exclusiva de joalharia de autor assinada por artistas contemporâneos, e para o Cindor Makers, onde os formandos do CINDOR – Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria – demonstram ao vivo as suas competências.Portojóia Talks: debates e reflexãoAs Portojóia Talks são um dos momentos altos da feira. Este ano, o programa inclui palestras e debates com especialistas sobre temas como: O posicionamento de Portugal no mercado do luxo – como o país se pode afirmar num setor dominado por grandes casas internacionais. Segurança no setor – um tema sempre pertinente para quem lida com peças de alto valor. Joalharia sustentável – a integração de práticas responsáveis na produção de joias. Filigrana – a técnica ancestral que continua a ser um dos ex-libris da ourivesaria portuguesa. Estratégias de internacionalização – como as marcas portuguesas podem conquistar novos mercados. A Inteligência Artificial será também um dos temas centrais, com o CINDOR a promover uma reflexão sobre as oportunidades da IA, o papel da criatividade humana e as competências necessárias aos profissionais do futuro. A iniciativa pretende ainda incentivar uma utilização ética, crítica e responsável da tecnologia.Oficinas e demonstrações ao vivoPara quem gosta de ver o saber-fazer em ação, a Oficina by Cindor vai recriar o ambiente de uma aula de ourivesaria, com demonstrações ao vivo de técnicas e processos da profissão. Os visitantes poderão ter um contacto direto com as ferramentas, os materiais e os gestos que transformam metal em arte.Há também workshops de sustentabilidade e a iniciativa "Do velho se faz novo", que permitirá transformar peças de ourivesaria não utilizadas em novos objetos de adorno. Uma forma prática de celebrar a economia circular e o valor da reutilização.Exposição de TendênciasA feira inclui ainda uma Exposição de Tendências, dedicada à simbiose entre processos sustentáveis e design identitário e contemporâneo. É aqui que se pode ver, em primeira mão, o que está a ser feito de mais inovador na interseção entre tradição e modernidade.Nova livraria "By the Book"Entre as novidades desta edição, está a livraria "By the Book", dedicada à joalharia e ao design. Um espaço para os apaixonados pelo setor encontrarem publicações especializadas e aprofundarem conhecimentos.Novos talentos: o futuro da ourivesaria em destaqueA Portojóia sempre teve uma preocupação especial com a formação e a revelação de novos talentos. Esta edição não é exceção.Best Of – Aluno RevelaçãoO concurso "Best Of – Aluno Revelação" é uma iniciativa dirigida a estudantes e formandos de cursos de arte, design e ourivesaria. As peças submetidas a concurso são avaliadas e as selecionadas têm a oportunidade de ser expostas na feira.Os três finalistas desta edição já são conhecidos: Jacqueline Pompeu Abrunhosa – CINDOR Maria Elisabete Tavares – CINDOR Pamela Storrodumof – CINDOR O vencedor será revelado no primeiro dia da feira. O primeiro classificado recebe um prémio monetário de 500 euros e uma formação especializada dinamizada pelo CINDOR. As menções honrosas recebem uma barra de prata de 200g oferecida pela Balantek (ou valor equivalente a 200 euros).Concurso de Ourivesaria APIOA APIO – Associação Portuguesa da Indústria de Ourivesaria marca presença na Portojóia 2026 com as peças da 18.ª edição do seu Concurso de Ourivesaria, este ano dedicada aos 100 anos da morte de Antoni Gaudí, o genial arquiteto catalão.É uma oportunidade para ver como os ourives portugueses interpretam o legado de Gaudí – as suas formas orgânicas, as suas cores vibrantes, o seu amor pelo detalhe.Como visitar a Portojóia 2026Se ficou interessado em visitar a feira, aqui ficam as informações essenciais.Datas e horários Datas: 17 a 20 de setembro de 2026 Horário: Das 10h00 às 20h00 nos dias 17, 18 e 19 de setembro; das 10h00 às 18h00 no dia 20 Localização Local: Exponor – Feira Internacional do Porto Endereço: Av. Dr. António Macedo, 4454-515 Leça da Palmeira, Matosinhos A Exponor está estrategicamente localizada a escassos 15 minutos da cidade do Porto e a 10 minutos do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, o que facilita o acesso tanto para visitantes nacionais como internacionais.AcessoA entrada é gratuita para profissionais do setor, mediante convite. A organização disponibilizou um convite exclusivo que pode ser acedido gratuitamente até ao final da feira.Porque é que a Portojóia continua a ser incontornávelA Portojóia não é apenas uma feira. É um termómetro do setor, um ponto de encontro e uma montra para o mundo.Segundo dados recolhidos pela Exponor, 58% dos profissionais que visitam a feira são motivados pela procura das tendências do mercado. 42% procuram novos produtos e/ou serviços, e cerca de 35% elegem o encontro com novos fornecedores como um dos principais estímulos.Estes números mostram que a Portojóia cumpre uma função essencial: conectar pessoas, ideias e negócios. Num setor tão específico como a joalharia, onde as relações de confiança são fundamentais, ter um espaço onde todos se encontram é inestimável.E, num ano em que os industriais classificaram o contexto como "significativamente desafiante" – sobretudo devido ao aumento do preço dos metais nobres –, a feira assume um papel ainda mais relevante. É aqui que se discutem estratégias, se partilham preocupações e se celebram as conquistas.O que a Portojóia 2026 nos diz sobre o futuroSe há uma mensagem que sai clara da edição deste ano, é esta: o luxo está a mudar.Já não basta ter uma joia bonita. É preciso que ela tenha história, que os seus materiais sejam éticos, que o seu fabrico seja responsável e que a sua exclusividade seja consciente.A Portojóia 2026 é a prova de que a indústria portuguesa está atenta a estas mudanças. As marcas presentes, os temas debatidos, as iniciativas promovidas – tudo aponta para um setor que quer ser relevante no presente e sustentável no futuro.E isso é, talvez, a melhor notícia que podemos levar desta feira.E você, vai visitar a Portojóia 2026? Já conhece a feira ou esta será a sua a primeira vez? Se quiser saber mais sobre o que se faz de melhor na ourivesaria portuguesa, fique atento(a) ao nosso blog. Informação Detalhe Evento Portojóia 2026 – 35.ª edição Tema "Luxury Redefined" Datas 17 a 20 de setembro de 2026 Horário 10h00 – 20h00 (dias 17, 18 e 19) | 10h00 – 18h00 (dia 20) Local Exponor – Feira Internacional do Porto, Matosinhos Siga o nosso Blog para conhecer em primeira mão mais publicações relacionadas com o mundo da joalharia!Subscreva a nossa Newsletter para receber, a cada duas semanas, novidades da nossa parte no seu email.Explore o nosso Site para apreciar joias em ouro português, ouro sustentável, peças em prata, filigrana e aço inoxidável, incluídas nas tendências mais atuais do setor.Acompanhe as nossas Redes Sociais para obter mais inspiração na hora de compor os seus looks do dia‑a‑dia.
A moeda de 10 cêntimos que vale 1,25 milhões de dólares (e só existem nove no mundo)
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A moeda de 10 cêntimos que vale 1,25 milhões de dólares (e só existem nove no mundo)
Há histórias que parecem inventadas. Uma moeda de dez cêntimos – aquela mesma que provavelmente tem no fundo de uma gaveta, esquecida entre botões e clipes – foi vendida por 1,25 milhões de dólares. Sim, leu bem. Um milhão e duzentos e cinquenta mil dólares por uma moeda que, em teoria, vale dez cêntimos.O que torna esta história ainda mais fascinante? Só existem nove exemplares conhecidos em todo o mundo. E um deles acabou de mudar de mãos.Este é o caso da 1894-S Barber Dime, uma das moedas mais raras e cobiçadas da numismática norte-americana. E a história por detrás dela é tão intrigante quanto o seu valor.O que é a 1894-S Barber Dime?A moeda pertence à série Barber, que circulou nos Estados Unidos entre 1892 e 1916. O nome vem do seu criador, Charles E. Barber, o sexto gravador-chefe da Casa da Moeda dos Estados Unidos, que desenhou as moedas de 10, 25 e 50 cêntimos da época .No anverso, a moeda exibe o perfil da Liberdade (Lady Liberty), com a inscrição "UNITED STATES OF AMERICA" e a data de 1894. No reverso, uma coroa de folhagens envolve as palavras "ONE DIME" – e, por baixo, uma pequena letra "S", que identifica a cunhagem na Casa da Moeda de São Francisco .Até aqui, nada de especial. Uma moeda bonita, com design clássico, mas nada que justifique um preço de sete dígitos. O que torna esta moeda única não é o que está gravado nela, mas sim quantas foram feitas – e quantas sobreviveram.Imagem: coinweek.com A cunhagem mais misteriosa da numismática americanaEm junho de 1894, a Casa da Moeda de São Francisco produziu apenas 24 exemplares desta moeda. Todos foram cunhados como provas (proof coins), ou seja, moedas de qualidade superior, destinadas a colecionadores e não à circulação normal.Mas porquê apenas 24? Esta é uma pergunta que os historiadores ainda não conseguiram responder com certeza.As teoriasTeoria 1: A crise económica. Em 1893, os Estados Unidos mergulharam numa profunda recessão conhecida como o Pânico de 1893. A procura por moedas novas caiu drasticamente, e a Casa da Moeda de São Francisco suspendeu a produção de dimes durante quase metade do ano. Apenas 24 foram feitas – e provavelmente por encomenda especial . Teoria 2: O presente para banqueiros.Diz-se que o superintendente da Casa da Moeda de São Francisco, John Daggett, mandou cunhar as moedas para as oferecer a banqueiros importantes e a outras personalidades próximas. Três delas teriam sido dadas à sua filha, Hallie Daggett, que, segundo a lenda, gastou uma num prato de gelado e vendeu as outras duas na década de 1950 . Teoria 3: A discrepância contabilística.Uma versão mais prosaica sugere que a Casa da Moeda tinha uma discrepância de 2,40 dólares nos seus registos – exatamente o valor de 24 moedas de dez cêntimos. As moedas teriam sido cunhadas para equilibrar as contas . Teoria 4: O teste de cunhos.Outra hipótese defende que as 24 moedas foram produzidas para testar os cunhos (os moldes que imprimem o desenho na moeda), e que, depois de se perceber o seu valor potencial, não foram feitas mais .Nenhuma destas teorias foi comprovada. O que se sabe é que, das 24 moedas cunhadas, três foram reservadas para a Comissão de Ensaios (Assay Commission), que testava a qualidade do metal. Isso deixa uma emissão líquida de apenas 21 moedas. Nove sobreviventes (e uma delas foi comprada por 2,40 dólares)Hoje, a comunidade numismática conhece apenas nove exemplares sobreviventes da 1894-S Barber Dime. Os outros 15 ter-se-ão perdido, sido fundidos ou danificados ao longo de mais de um século.E há uma história particularmente deliciosa entre estes nove: em 1957, um dos exemplares – já bastante desgastado – foi encontrado numa caixa de moedas "junk" (moedas sem valor) numa loja da Gimbels Department Store, em Nova Iorque. Foi comprado por 2,40 dólares.Sim, leu bem. Uma moeda que hoje vale mais de um milhão foi comprada por menos de três dólares, porque ninguém percebeu o que era. Q. David Bowers: o adolescente que comprou uma lenda por 4.750 dólaresA venda mais recente – a que rendeu 1,25 milhões de dólares – tem uma história de origem notável.Em novembro de 1957, um jovem de 19 anos chamado Q. David Bowers comprou um exemplar da 1894-S Barber Dime por 4.750 dólares. Na época, era um preço considerado "ridiculamente alto" para uma moeda de dez cêntimos. Bowers era estudante na Penn State University. A compra causou sensação: foi notícia em centenas de jornais, recebeu mais de 6.000 cartas de leitores e foi convidado a aparecer no programa Today da NBC.A moeda lançou a carreira de Bowers na numismática, tornando-se um dos nomes mais respeitados do setor. A empresa que hoje leva o seu nome – Stack's Bowers Galleries – resulta da fusão da casa de leilões Stack's com a Bowers & Merena, fundada por Bowers.A moeda vendida em setembro de 2026 é exatamente aquela que Bowers comprou em 1957. A sua proveniência – o facto de ter pertencido a uma figura lendária da numismática – acrescentou um valor significativo ao lote.Imagem: coinworld.comA venda de 2026: 1,25 milhões de dólares (e uma longa espera)A venda aconteceu a 1 de setembro de 2026, numa sessão especial da Stack's Bowers Galleries chamada Rarities Night.O preço final foi de 1.250.500 dólares – ligeiramente abaixo do intervalo de 1,3 a 2,16 milhões que outras 1894-S Barber Dimes tinham alcançado em leilões desde 2005. Mas o valor ultrapassou o milhão, confirmando o interesse persistente por esta raridade.O comprador não foi identificado. O que se sabe é que a moeda não aparecia num leilão público há quase 36 anos.O histórico de vendas desta moeda específica Ano Evento Preço 1957 Comprada por Q. David Bowers $4.750 1957 Vendida a Emery Mae Norweb $6.000 1987 Leilão Stack's $77.000 1990 Leilão $93.500 2026 Leilão Stack's Bowers $1.250.500 Esta é a mesma moeda que atravessou quase sete décadas e viu o seu valor multiplicar-se por mais de 260 vezes. Não é uma má rentabilidade para um investimento de 1957.Porque é que esta moeda vale tanto?A resposta parece óbvia – só existem nove. Mas a raridade, por si só, não explica tudo. Há moedas raras que valem muito menos. O que faz a 1894-S Barber Dime tão especial?1. Raridade extremaNove exemplares conhecidos é, literalmente, uma gota no oceano. A maioria está em coleções privadas há décadas, e as aparições em leilão são eventos raros.2. A classificação na lista das "100 Maiores Moedas dos EUA"A moeda está classificada como a sexta mais desejável de todas as moedas americanas, segundo o guia de referência 100 Greatest U.S. Coins. À frente dela estão lendas como o dólar de 1804 e o níquel Liberty Head de 1913.3. A história e o mistérioA combinação de uma cunhagem misteriosa, uma lenda sobre uma menina que gastou uma moeda num gelado, e o facto de uma delas ter sido encontrada numa caixa de "junk" – tudo isto contribui para o apelo romântico da moeda.4. A proveniênciaA moeda vendida em 2026 pertenceu a Q. David Bowers, uma figura icónica da numismática. O seu nome está associado à moeda, e isso acrescenta valor.5. A condiçãoA moeda vendida em 2026 foi classificada como Proof 66 pela Professional Coin Grading Service (PCGS), o que significa que está numa condição excecional – quase como saiu da Casa da Moeda há 132 anos. O que faz uma moeda valer mais de um milhão?A história da 1894-S Barber Dime não é única. O mercado de moedas raras movimenta milhões de dólares anualmente, e as moedas mais valiosas do mundo atingem preços estratosféricos.Em 2025, por exemplo, as 30 moedas mais valiosas vendidas em leilão somaram mais de 40 milhões de dólares. No topo da lista estava um dólar de 1804 que alcançou 6 milhões de dólares.Os fatores que determinam o valor de uma moeda são sempre os mesmos: Raridade: quantas foram cunhadas? Quantas sobrevivem? Condição: uma moeda em estado impecável vale muito mais do que uma desgastada. Procura: há colecionadores dispostos a pagar? História: a moeda tem uma narrativa interessante? Proveniência: pertenceu a alguém famoso? Tem documentação? A 1894-S Barber Dime marca todas estas caixas – e é por isso que continua a ser uma das moedas mais valiosas do mundo. E o que isto tem a ver com a Lusijoia?Talvez nada diretamente. Mas há uma lição que se aplica ao mundo das joias e dos objetos de valor: a raridade, a história e a qualidade são os fatores que determinam o valor a longo prazo.Tal como uma moeda rara, uma joia bem feita – uma peça de filigrana portuguesa, um par de Brincos Rainha ou uma pulseira em ouro 19,2kt – é mais do que um objeto. É uma peça com história, com técnica, com alma. E, tal como a moeda de dez cêntimos, pode valer muito mais do que o seu valor facial.A diferença? Uma moeda de dez cêntimos pode valer 1,25 milhões de dólares. Uma joia bem escolhida pode valer uma vida inteira de memórias. "E você, já encontrou alguma moeda antiga numa gaveta? Ou tem uma joia que herdou e que vale mais do que imagina?"-----------------------------------------------------------------------------------------------------Siga o nosso Blog para conhecer em primeira mão mais publicações relacionadas com o mundo da joalharia!Subscreva a nossa Newsletter para receber, a cada duas semanas, novidades da nossa parte no seu email.Explore o nosso Site para apreciar joias em ouro português, ouro sustentável, peças em prata, filigrana e aço inoxidável, incluídas nas tendências mais atuais do setor.Acompanhe as nossas Redes Sociais para obter mais inspiração na hora de compor os seus looks do dia‑a‑dia.