Está é uma conversa de ourivesaria sem filtros (mas com muito brilho).

Vamos já esclarecer uma coisa: nós adoramos brilho! Adoramos uma pedra bonita num anel. Adoramos a sensação de ajudar alguém a escolher a peça que vai acompanhar uma vida inteira de amor. Gostamos daquelas caixas pequenas de veludo que fazem click quando abrem. Sim, somos românticos. Assumimos!
E, sim, eventualmente temos diamantes. Mesmo bonitos, com certificação e origem controlada. Não temos vergonha disso. Um bom diamante, bem cortado, com a luz a dançar nas suas facetas, é uma coisa linda. Quem discorda?

Mas...há uma coisa que nos incomoda. E há já algum tempo.
É a seguinte: porque é que os diamantes continuam a ser vistos como a única opção "aceitável" para um anel de noivado? Porque é que uma pedra branca, cara, com uma história nem sempre ética, continua a mandar na nossa cabeça como se fosse a rainha do universo?
A resposta é curta: marketing. Muito, muito marketing.

E hoje, com a licença de quem também vende diamantes (mas que prefere conversar consigo como se estivesse num café, não atrás de um balcão), vamos contar-lhe a história que a indústria prefere que você não saiba. Não vamos dizer "fuja dos diamantes". Vamos dizer-lhe: "antes de escolher, saiba tudo. E depois escolha com consciência."

Pegue num bolinho de canela, acomode-se. E vamos lá.

A invenção do "para sempre" (ou como uma empresa nos vendeu a ideia)

Imagine o seguinte: estamos em 1947. O mundo acabou de sair de uma guerra. As pessoas estão pobres, cansadas e com pouca vontade de gastar dinheiro em pedras brilhantes. As vendas de diamantes estão no fundo. Neste cenário, uma empresa chamada De Beers (que controlava praticamente todas as minas de diamante do mundo) contrata uma agência de publicidade. O desafio? Convencer as pessoas de que um homem devia gastar dois meses de salário num anel de diamantes para pedir a sua namorada em casamento.
Dois meses. De salário.
E adivinhe? Resultou.

A campanha "Diamonds Are Forever" ("Os Diamantes são para sempre") entrou para a história como uma das maiores jogadas de marketing de sempre. De repente, os diamantes deixaram de ser uma pedra cara entre outras – e passaram a ser a pedra. A obrigatória. A que demonstrava amor verdadeiro.
E o mais brilhante (nunca melhor dito) foi o slogan. "para sempre" sugeria que o diamante nunca perdia valor, que era eterno, que era uma herança. Mas a verdade (e nós, que lidamos com compra e venda de joias, sabemos bem) é que um diamante, se o tentar vender, perde até 50% do valor no momento em que sai da loja. Sim, leu bem. Tal como um carro, mas com mais brilho.

Mas ninguém fala nisso. Porque a De Beers gastou milhões a garantir que falássemos era do "para sempre".

Nota divertida: se um diamante é para sempre, porque é que a nossa amiga Sofia ainda tem o anel de casamento da primeira vez guardado numa gaveta? Sem comentários!

Diamantes de Sangue

A verdade inconveniente: diamantes não são assim tão raros

Outra coisa que a indústria adora que você acredite: diamantes são super raros, quase impossíveis de encontrar, um milagre da natureza.
Vamos a números. Só na Rússia, há uma mina chamada Mirny (significa "Paz", ironicamente) que tem uma cratera de 525 metros de profundidade. Durante anos, produziu milhões de quilates por ano. A África do Sul, o Botswana, o Canadá, a Austrália – todos produzem diamantes às toneladas. A raridade dos diamantes é, em grande parte, artificial. A De Beers e outras empresas controlam a oferta. Guardam diamantes em enormes armazéns para manterem os preços altos. É o chamado "cartel dos diamantes". E funciona!

Pensemos assim: se houvesse uma fruta que só existisse numa ilha remota e um grupo de pessoas decidisse guardar 80% da colheita num armário, essa fruta seria caríssima. Mas isso não faz dela mais valiosa. Faz dela...controlada.
Com os diamantes é igual. Eles não são raros como a alexandrite ou a painita (procure no Google, vai se impressionar). São apenas bem guardados.

Nós continuamos a vender diamantes? Sim. Mas quando um cliente nos pergunta "são raros?", respondemos com honestidade: "são bonitos. E se for essa a sua paixão, temos opções. Mas não os escolha porque acha que são raros – porque não são."

Diamantes de sangue: o elefante na sala (e não é brincadeira)

Vamos agora para a parte um pouco mais séria. Mas prometemos aligeirar – porque o assunto pode ser pesado, mas ignorá-lo é pior.
Chamam-se diamantes de conflito (ou "diamantes de sangue") os que são extraídos em zonas de guerra, muitas vezes através de trabalho forçado ou infantil, e vendidos para financiar exércitos rebeldes. Serra Leoa, Angola, Libéria, República Democrática do Congo – estes nomes aparecem nos jornais, mas raramente os associamos os diamantes a essas realidades.
Nos anos 90, a situação era tão grave que a indústria foi forçada a criar um sistema de certificação chamado Kimberley Process, que, teoricamente, garante que os diamantes não vêm de zonas de conflito.
Na prática? Tem falhas. Bastantes falhas. Organizações como a Global Witness e a Human Rights Watch apontam lacunas. Há relatos de diamantes que saem de zonas controladas por milícias e acabam em lojas na Europa com certificados duvidosos.
O que é que nós, na Lusijoia, fazemos sobre isto? Somos transparentes. Garantimos que os diamantes que vendemos têm certificação de origem e que escolhemos a dedo os nossos fornecedores. Não aceitamos qualquer diamante – só os que cumprem padrões éticos.
Mas a verdade é que, mesmo com todos os cuidados, o risco nunca é zero. Por isso, quando um cliente nos pergunta "qual é a pedra mais ética?", nós não apontamos logo para o diamante. Apontamos para as alternativas.

As novas gerações: "Diamantes? Prefiro uma viagem!"

Aqui está a parte que nos dá esperança. Os Millennials e a Geração Z estão a olhar para os diamantes com cepticismo. Estudos mostram que:

  • Mais de 60% dos jovens preferem gastar dinheiro em experiências (viagens, concertos, jantares) do que em bens de luxo tradicionais.
  • A sustentabilidade e a ética são fatores decisivos na compra.
  • Muitos consideram o anel de diamantes "coisa de velhos" ou "uma imposição desnecessária".

E não é que eles podem ter razão?
Conhecemos um casal que trocou alianças de diamantes por...tatuagens. Literalmente. Tatuaram um anel no dedo. Custa menos, não se perde, e falam disso com mais orgulho do que qualquer pedra preciosa. Outro casal que conhecemos comprou uma carrinha velha, transformou-a numa autocaravana e viajou pela Europa durante seis meses. O dinheiro que iriam gastar em diamantes deu para combustível, comida e memórias para a vida inteira.
E depois há quem simplesmente prefira outras pedras. Safiras azuis, rubis vermelhos, esmeraldas verdes, topázios imperiais...Há todo um mundo de cor lá fora (e dentro da Lusijoia). 

Alternativas que podem ser (muito) mais fixes que diamantes

Chegou a altura da parte boa. Porque não somos só uns chatos a dizer "cuidado com os diamantes" e vamos embora. Não. Vamos mostrar-lhe o que também temos – e que muitas vezes pode ser mais interessante.

1. Pedras de cor: a sua história, a sua cor

Cada pedra tem um significado. Um rubi (vermelho) é paixão. Uma safira azul é lealdade e calma. Uma esmeralda verde é renovação e esperança. Um topázio imperial é raro como o amor verdadeiro.
E o melhor: são mais raras que diamantes (especialmente as de boa qualidade) e bastante mais económicas. Por um terço do preço de um diamante mediano, compra uma safira de cortar a respiração.

Nota divertida: a princesa Diana recusou um diamante. O seu anel de noivado foi uma safira azul rodeada de pequenos diamantes. E o anel passou para Kate Middleton. Ou seja, o "não-diamante" tornou-se o anel mais famoso do mundo. Veja a ironia.

Na Lusijoia, temos uma seleção linda de pedras de cor. Venha ver. Não custa nada espreitar.

Diamantes de Sangue

2. Moissanite: o diamante 2.0 (mais brilhante e mais barato)

A moissanite é uma pedra sintética (feita em laboratório) e que (surpresa) brilha mais do um diamante. Tem um índice de refração maior, o que significa que lança mais faíscas.
E custa cerca de 10% do preço de um diamante equivalente.
Moralmente, é impecável: não há mineração, não há sangue, não há cartel. Tecnicamente, é superior. Esteticamente, é lindíssima.
Então porque é que não é mais popular? Porque a indústria não quer que você saiba que existe uma pedra melhor e mais barata. Simples!

3. Filigrana portuguesa: sem pedras, mas com alma

A filigrana – a técnica de fios de prata ou ouro entrelaçados – é uma arte ancestral. Um anel de filigrana não precisa de pedras. A beleza está no rendilhado, nos vazados, na luz que atravessa a peça.
É único. É português. É sustentável (não há mineração envolvida). E cada peça é feita à mão, o que significa que não há dois anéis iguais. Oferecer um anel de filigrana é dizer: "Não segui a manada. Escolhi algo com história, com técnica, com Portugal dentro."

Na Lusijoia, a filigrana é uma das nossas paixões. Temos anéis, brincos, colares – tudo feito por ourives portugueses.

4. Aço inoxidável com pedras e brilho: moderno, resistente e acessível

E temos a nossa mais recente novidade: o aço inoxidável. Já ouviu falar? É um material que não oxida, não arranha, não causa alergias e custa uma fração do preço do ouro.
E quando combinamos aço com pedras de cor ou zircónias, o resultado é moderno, descontraído e surpreendentemente elegante. É a escolha perfeita para quem quer um acessório que possa usar na praia, no ginásio, a cozinhar, sem o tirar nunca. Porque as joias e os acessórios não são para guardar na gaveta. Podem ser  para usar todos os dias.

Diamantes de Sangue

Então na Lusijoia somos contra os diamantes?

Não. Claro que não! 
Mas não gostamos de fingir que são a única opção. Porque não são. E as pessoas que nos visitam nas nossas lojas sabem isso: a primeira coisa que lhes perguntamos não é "que diamante quer?". É "que história quer contar?".
Porque o amor não se mede em quilates. Mede-se em atenção, em significado, em carinho e em saber o que a outra pessoa realmente gosta.
Se o seu coração bate por um diamante – depois de ler este artigo, depois de saber dos diamantes de sangue, do cartel da De Beers, das alternativas todas – então compre o diamante! Nós ajudamos. E com muito gosto.

Mas se o seu coração bater por uma safira azul como a da Diana, ou por um anel de filigrana que parece um rendilhado de luz, ou por uma pulseira de aço inoxidável que pode usar na praia sem medo – também ajudamos. E com o mesmo gosto.

O nosso trabalho não é empurrar-lhe o produto mais caro. É ajudar a encontrar a peça que realmente faz sentido para si.
O seu amor é único. Porque é que o seu anel (e as restantes joias) havia de ser igual ao de toda a gente?
Venha conhecer-nos. Traga ideias. Traga dúvidas. Traga a sua pessoa favorita.

Nota da equipa Lusijoia: Este artigo foi escrito com base em factos, mas também com muita paixão. Se quiser saber mais sobre joias alternativas aos diamantes, temos uma seleção especial. Peça para ver as safiras, os rubis, as zircónias e as peças de filigrana. Garantimos que vai adorar. E não, não vamos tentar convencê-la a comprar um diamante se não for essa a sua vontade. Somos assim: honestos! ?

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