FIA Lisboa 2026: Onde o artesanato tradicional encontra o olhar contemporâneo
Agora que já passou, podemos dizer com toda a honestidade: a maior feira de artesanato da Península Ibérica e a segunda maior da Europa esteve de volta na FIA Lisboa e foi um verdadeiro festival de criatividade, talento e, claro, de muito trabalho manual bem feito. Decorreu entre 27 de junho e 5 de julho, na FIL do Parque das Nações, que se transformou no epicentro do artesanato nacional e internacional – e nós, que adoramos o que é feito à mão, não podíamos deixar passar em branco esse evento aqui no nosso blog.
A FIA Lisboa é uma plataforma de excelência para a promoção da Identidade e Desenvolvimento dos Territórios Nacionais e Estrangeiros designadamente ao nível Económico, Cultural e Turístico. Apoia o Desenvolvimento Regional e as culturas locais, através de várias vertentes do Património Cultural Material e Imaterial – artesanato, gastronomia, recursos naturais, atividades culturais e turísticas, entre outras, procurando evidenciar Micro, Pequenas e Médias Empresas Nacionais, Entidades e Organismos Oficiais ligados a projetos que visam a promoção e divulgação dos Territórios, bem como a venda dos Produtos Regionais.
Promovida pela Fundação AIP em colaboração com o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional, esta 35ª edição da FIA contou com uma enorme área de exposição de artesanato nacional e internacional e também com uma área da gastronomia, que para além dos produtos tradicionais das diferentes regiões, trouxe a alegria dos Santos Populares com as habituais sardinhas assadas e o arraial.

No Pavilhão 1 esteve representado o artesanato tradicional e contemporâneo de todo o país, incluindo das ilhas.
De notar que esta edição contou com um número record de municípios presentes oriundos de norte a sul do país, registando um aumento de 50% e que viram na FIA Lisboa a oportunidade de promoverem a cultura do seu território e impulsionarem o turismo das suas regiões.
No Pavilhão 2, estiveram representadas as diferentes culturas do mundo. A área internacional contou com a representação de cerca de 30 países, entre os quais Cuba e Tunísia, Brasil, Colômbia, Senegal, Zimbabwe, Marrocos, Mali, Equador, Congo e Perú.
No Pavilhão 3 a melhor gastronomia, jogos tradicionais para as famílias, folclore, atuações musicais e muita animação.
Hoje fazemos uma retrospetiva desse evento que juntou mais de 500 expositores de 34 países e ocupou cerca de 30 mil metros quadrados de pura criatividade . E, já agora, aproveitamos para partilhar convosco as tendências, as inspirações e, quem sabe, algumas ideias para próximas peças de coleção.

Alentejo e Ribatejo: as regiões que roubaram o protagonismo
Este ano, a região convidada nacional foi o Alentejo e o Ribatejo – e que escolha acertada . A Entidade Regional de Turismo levou para a FIA mais de 50 artesãos representando 36 concelhos, num stand de 72 metros quadrados que era um verdadeiro museu vivo . Dezenas de técnicas e tradições da região passaram por ali: da cerâmica de Beja e do Cartaxo à olaria de Reguengos de Monsaraz, dos bordados de Nisa aos trabalhos em cortiça de Montemor-o-Novo, e da cestaria de Grândola à joalharia artesanal .
O presidente da Entidade Regional de Turismo, José Santos, resumiu bem o espírito: "O objetivo é integrar cada vez mais o artesanato na oferta turística global do Alentejo e do Ribatejo, aproveitando a FIA para chegar a novos públicos, operadores e potenciais visitantes".
Boyacá: a Colômbia que nos encantou
A nível internacional, a região colombiana de Boyacá foi a convidada de honra, e trouxe consigo uma riqueza artesanal de fazer suspirar . Com 21 ateliês e unidades artesanais de municípios como Guacamayas, Ráquira e Villa de Leyva, a região colombiana apresentou as suas duas Denominações de Origem: a cestaria em rolo de Guacamayas e a olaria de Ráquira.
O público pôde assistir a demonstrações ao vivo de tecelagem e cestaria, com dois artesãos que viajaram especialmente da Colômbia para partilhar o seu saber – que passa de geração em geração . É este tipo de intercâmbio que torna a FIA tão especial: a possibilidade de ver, ao vivo, técnicas que muitas vezes são seculares e que continuam a ser transmitidas como verdadeiros tesouros culturais.
Mafra e a identidade saloia em destaque
O Município de Mafra também marcou presença com um stand que trouxe a identidade saloia ao Parque das Nações . Sob o mote "Aqui vive-se Mafra. Onde as mãos guardam o saber de gerações", cerca de duas dezenas de artesãos do concelho mostraram a diversidade dos ofícios tradicionais e contemporâneos.
Ceramistas, oleiros, mestres da marcenaria artística e do embutido, bordadeiras, tapeceiras e criadores de bijuteria de autor – a lista era longa e o talento, evidente. Houve ainda uma exposição de olaria com peças do Mestre Oleiro José Franco, gentilmente cedidas pela Aldeia Museu José Franco, uma homenagem a uma das figuras maiores do património artesanal de Mafra.
O triunfo do artesanato açoriano
Se há região que brilhou na FIA 2026, foram os Açores. O artesanato açoriano conquistou três distinções na categoria de Artesanato Contemporâneo, e nós, que valorizamos a excelência e a inovação, aplaudimos de pé.
O 1.º Prémio foi para o ceramista Adolfo Mendonça, da ilha Terceira, com a peça 39ºC – inspirada em elementos marinhos e concebida como um alerta para as alterações ambientais e a fragilidade dos ecossistemas . Carolina Medeiros, de São Miguel, recebeu uma Menção Honrosa com o Colar SUBT’L Wearable Architecture, enquanto Marina Mendonça, de Santa Maria, foi distinguida pelo Pote Condessa, que alia a tradição da cestaria à cerâmica contemporânea.
A secretária Regional da Juventude, Maria João Carreiro, considerou que este reconhecimento constitui "um motivo de enorme orgulho para os açorianos", destacando o papel de uma nova geração de artesãos que preserva a autenticidade e o saber-fazer artesanal açoriano, conciliando tradição e inovação.
O espaço "Design For Craft" e a inovação no artesanato
Um dos espaços mais inspiradores da FIA foi o Design For Craft, com curadoria de Guta Moura Guedes, que aproximou o design contemporâneo das técnicas tradicionais, promovendo novas abordagens ao artesanato . Este espaço é a prova de que a tradição e a modernidade podem coexistir – e que, muitas vezes, a inovação nasce exatamente dessa fusão.
E é exatamente esse o espírito que nos move na Lusijoia: acreditamos que o saber-fazer tradicional pode (e deve) dialogar com o olhar contemporâneo. A filigrana portuguesa, as Contas de Viana e o ouro 19,2kt certificado pela INCM são exemplos perfeitos dessa relação.
Prémios e reconhecimentos
Foram entregues os Prémios FIA 2026, que distinguiram Adolfo Mendonça, na categoria de Artesanato Contemporâneo, e Cristina Fachada, na categoria de Artesanato Tradicional . A organização considerou que estas distinções reconhecem o contributo dos dois artesãos para a preservação e renovação das artes manuais. É bom ver que o trabalho manual, o cuidado com o detalhe e a paixão pelo que se faz continuam a ser valorizados. E, já agora, dá-nos ainda mais orgulho em fazer parte deste ecossistema criativo.

Imagens: https://fialisboa.fil.pt/fotogaleria/
O que é que isto tem a ver com a Lusijoia?
Agora, a pergunta que interessa: o que é que a FIA tem a ver com a Lusijoia?
Tudo!
A FIA é a celebração do que é feito à mão. Daquilo que tem história, que tem técnica, que tem alma. É o reconhecimento de que o trabalho artesanal – seja na cerâmica, no bordado, na ourivesaria ou na cestaria – é um património que merece ser preservado, celebrado e, acima de tudo, reinventado.
Na Lusijoia, fazemos exatamente isso todos os dias. Trabalhamos com ourives portugueses, valorizamos a filigrana, investimos no ouro certificado e, mais recentemente, abraçámos o aço inoxidável como uma alternativa moderna e resistente.
A FIA é uma fonte inesgotável de inspiração. Ver artesãos de todo o mundo a trabalhar ao vivo, a partilhar técnicas e a contar histórias através dos seus objetos – isso é o que nos faz acreditar que o artesanato tem futuro. E que, mesmo na era digital, há espaço para o que é feito com as mãos.
Até 2027: a próxima edição já tem data
A organização já anunciou a data para a próxima edição: a FIA Lisboa 2027 decorrerá entre 26 de junho e 4 de julho, voltando a reunir artesãos nacionais e internacionais na FIL.
Nós já estamos a contar os dias.
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